Podem celebrar, mas não são obrigados a guardar uma festa anual. A Bíblia não manda os cristãos comemorar a Páscoa numa data específica, nem ensina que deixar de fazê-lo seja pecado. Ao mesmo tempo, lembrar a morte e a ressurreição de Jesus é algo muito importante na vida cristã. Por isso, uma celebração da Páscoa pode ser uma boa oportunidade pra fazer isso.
Parte da dúvida vem do fato de que usamos a mesma palavra para falar de duas coisas relacionadas. No Antigo Testamento, a Páscoa lembra a libertação de Israel do Egito. Na última noite antes da saída do povo, Deus mandou que cada família israelita preparasse um cordeiro e colocasse seu sangue na entrada da casa. As casas marcadas pelo sangue foram poupadas quando morreram os primogênitos no Egito. Depois, Israel passou a celebrar a Páscoa pra se lembrar de como Deus o havia libertado (Êxodo 12).
Essa história ajuda os cristãos a entender a morte de Jesus. O Novo Testamento o apresenta como o Cordeiro de Deus e relaciona seu sacrifício à Páscoa (João 1:29; 1 Coríntios 5:7). Assim como Deus libertou Israel da escravidão no Egito, Jesus morreu e ressuscitou pra salvar os que nele creem. Isso não significa que cada detalhe da celebração judaica precise ganhar um novo significado cristão. A ligação principal que o Novo Testamento faz é com o sacrifício de Cristo.
Então, o cristão precisa celebrar a Páscoa judaica, com suas refeições e costumes? Não. As festas dadas a Israel apontavam pra aquilo que Cristo faria, mas os cristãos não recebem a ordem de guardá-las. Paulo orienta os irmãos a não se deixarem julgar por causa da observância de festas religiosas (Colossenses 2:16-17). Participar de uma refeição que explique a Páscoa judaica pode ajudar alguém a compreender melhor a Bíblia, desde que ela não seja apresentada como uma obrigação dada por Deus aos cristãos.
E quanto à celebração cristã da Páscoa, que destaca a morte e a ressurreição de Jesus? Ela também não é uma exigência bíblica anual. Uma igreja ou uma família pode separar esse dia pra ler os relatos bíblicos, agradecer a Deus e anunciar o evangelho. Outra pessoa pode não observar a data. Essa diferença não deve virar motivo pra julgar a fé uns dos outros; Romanos 14:5-6 ensina a tratar com respeito diferenças de consciência sobre dias especiais.
Há, porém, uma prática que Jesus de fato deixou aos seus seguidores: a Ceia do Senhor. Nela, os cristãos lembram sua morte e anunciam o que ele fez, sem que o Novo Testamento a limite ao dia da Páscoa (Lucas 22:19-20; 1 Coríntios 11:23-26).
Portanto, celebrar a Páscoa pode ser bom, mas não é uma condição pra ser um cristão fiel. O essencial não é guardar uma data. É confiar em Jesus, lembrar o que ele fez por nós e viver de acordo com essa fé ao longo do ano.