Pode. A Bíblia não proíbe um cristão de possuir uma arma. Mas isso não quer dizer que todo cristão deva ter uma, nem que qualquer motivo pra usá-la seja aceitável. A pergunta mais importante é: por que ter essa arma, como ela seria guardada e em que circunstâncias a pessoa estaria disposta a usá-la?
Os discípulos de Jesus tinham espadas. Na noite em que ele foi preso, Pedro usou uma delas e feriu um homem. Jesus mandou que ele parasse e cuidou do ferido (Lucas 22:38, 49-51; João 18:10-11). Esse episódio mostra duas coisas que precisam ficar juntas: Jesus não havia proibido seus discípulos de possuir espadas, mas rejeitou o uso da espada por Pedro naquela situação. Ele não permitiria que seus seguidores impedissem sua prisão pela força. Por isso, o episódio não serve nem pra dizer que toda arma é pecado, nem pra justificar qualquer uso de uma arma.
A Bíblia também ensina os seguidores de Jesus a buscar a paz, não a vingança (Mateus 5:9; Romanos 12:17-21). Ao mesmo tempo, reconhece que as autoridades têm a responsabilidade de conter a violência e punir quem pratica o mal (Romanos 13:1-4). Assim, um cristão pode entender que usar uma arma no serviço policial ou militar, ou tê-la para proteger pessoas diante de uma ameaça grave, não é necessariamente contrário à fé. Outros cristãos, levando a sério os ensinamentos de Jesus sobre não revidar, decidem não ter armas. A Bíblia não exige que todos façam a mesma escolha nessa questão.
Se alguém pensa em ter uma arma pra defesa, precisa distinguir proteção de vingança. Proteger uma pessoa diante de um perigo imediato é diferente de agir por raiva, querer intimidar alguém ou procurar uma briga. Também não basta ter uma boa intenção: é preciso considerar o risco de acidentes, saber usar e guardar a arma com segurança e obedecer às leis do lugar onde se vive (Romanos 13:1-2).
Portanto, possuir uma arma não é, por si só, pecado. Mas é uma decisão séria, não um direito que dispense cuidado ou reflexão. O cristão deve pensar na segurança das pessoas ao seu redor e agir de um modo coerente com o chamado de Jesus pra promover a paz.