Os cristãos devem rejeitar o antissemitismo, tratar o povo judeu com respeito e reconhecer o direito de israelenses viverem em segurança. Mas isso não significa apoiar toda decisão do governo de Israel. A Bíblia nos chama a amar as pessoas e a buscar a justiça, não a dar aprovação automática a um Estado.
Deus escolheu Israel, fez promessas a Abraão e, por meio desse povo, trouxe ao mundo as Escrituras e Jesus, o Messias (Gênesis 12:1-3; Romanos 9:4-5). Essa história importa profundamente pra fé cristã. Paulo chega a advertir os cristãos de origem não judaica pra que não se considerem superiores aos judeus. Ele também diz que Deus não rejeitou seu povo e fala da esperança que tem pra Israel (Romanos 11:1-2, 11-29).
Ao mesmo tempo, o Israel da Bíblia e o Estado de Israel criado em 1948 não são simplesmente a mesma coisa. O povo judeu tem uma longa história que inclui as promessas bíblicas; o Estado atual é um país com governantes, leis e decisões políticas. Por isso, reconhecer a importância de Israel na Bíblia não resolve, por si só, todas as questões sobre território, guerra ou medidas de um governo.
Alguns cristãos entendem que as promessas feitas a Israel incluem um papel futuro específico pra nação e veem o Estado atual como relacionado a essas promessas. Outros entendem de outra maneira como essas promessas se cumprem em Cristo. Há divergências sinceras nesse ponto. Nenhuma dessas posições, porém, exige chamar de justa toda ação de um governo. Os profetas bíblicos criticaram repetidas vezes os próprios líderes de Israel quando praticaram a injustiça (Isaías 1:15-17; Amós 5:21-24).
Também é preciso cuidado com a promessa de Gênesis 12:3, em que Deus fala de abençoar quem abençoar Abraão. Ela não diz que cristãos devam aprovar sem exame qualquer política do Estado moderno de Israel. E a Bíblia não nos autoriza a tratar árabes ou palestinos como inimigos por causa de sua origem. Eles também são pessoas a quem devemos amar. Jesus ensinou seus seguidores a buscar a paz e a amar até mesmo seus inimigos (Mateus 5:9, 43-48).
Então, como apoiar Israel de um jeito cristão? Defendendo a vida e a segurança do povo judeu, combatendo o antissemitismo e orando por sua paz — sem deixar de se importar com a vida, a segurança e a justiça para os palestinos e outros povos da região. Podemos reconhecer o direito de um país existir e, ao mesmo tempo, avaliar e criticar suas ações quando necessário. A fidelidade a Deus não pede que escolhamos um povo pra amar e outro pra ignorar.