Depende do que se quer dizer por “cristãos” e de como o divórcio foi medido. Quando uma pesquisa reúne todas as pessoas que se identificam como cristãs, inclusive as que não praticam a fé, o resultado pode ser parecido com o de quem não se identifica assim. Já algumas pesquisas encontram menos divórcios entre pessoas que frequentam a igreja regularmente. Por isso, a frase “os cristãos se divorciam tanto quanto os não cristãos” é simples demais pra contar a história toda.
Uma parte da confusão está na palavra *cristão*. Numa pesquisa, ela pode significar apenas que a pessoa marcou essa opção ao responder sobre sua religião. Isso não diz, por si só, como ela vive, se participa de uma igreja ou que importância dá aos ensinamentos de Jesus. Se a pergunta é se a fé vivida no dia a dia faz diferença no casamento, não basta comparar pessoas por uma identificação religiosa tão ampla.
Também é preciso tomar cuidado com os números. A afirmação de que “metade dos casamentos termina em divórcio” não é uma medida fixa que vale pra todos os lugares e épocas. E saber quantas pessoas *já se divorciaram alguma vez* não é o mesmo que acompanhar um grupo de casamentos pra descobrir quantos terminaram em divórcio. São perguntas diferentes, que podem produzir números diferentes. Por isso, não seria correto trocar o famoso “50%” por outra porcentagem única e apresentá-la como a taxa de divórcio de todos os cristãos.
E mesmo quando uma pesquisa encontra menos divórcios entre frequentadores de igreja, ela não prova, sozinha, que a frequência aos cultos foi a causa dessa diferença. Pessoas que participam regularmente de uma igreja também podem ter outras características que influenciam seus casamentos. O resultado merece atenção, mas precisa ser descrito com honestidade: há pesquisas que mostram uma associação entre participação religiosa regular e menor ocorrência de divórcio, não uma garantia de que todo cristão praticante permanecerá casado.
A Bíblia nos ajuda a entender por que o casamento é levado a sério na vida cristã, mas ela não fornece uma porcentagem de divórcios. Jesus ensina que o casamento é uma união que não deve ser desfeita por qualquer motivo (Mateus 19:4-6). Paulo orienta marido e esposa a se tratarem com amor e respeito (Efésios 5:25, 33). Esses ensinamentos podem orientar decisões difíceis e a maneira de lidar com conflitos. Ainda assim, dizer que alguém é cristão não significa que seu casamento não enfrentará problemas, nem que o divórcio de uma pessoa prove que ela não tem fé.
Então, a resposta mais justa é esta: não há fundamento pra dizer, sem nenhuma distinção, que cristãos e não cristãos têm exatamente a mesma taxa de divórcio. A conclusão muda conforme quem a pesquisa chama de cristão e conforme a forma usada pra medir o divórcio. A fé cristã ensina a cuidar do casamento; as pesquisas podem mostrar relações entre fé praticada e estabilidade conjugal. Nenhuma das duas coisas, porém, deve ser transformada numa promessa de que um casamento cristão jamais terminará.