É possível orar, ler a Bíblia e adorar a Deus estando sozinho. Esses momentos são importantes. O problema é decidir que, por causa disso, não precisamos de outros cristãos. A fé em Jesus é pessoal, mas a vida cristã não foi feita pra ser vivida em isolamento.
Ninguém se torna cristão por frequentar uma igreja. Somos salvos pela graça de Deus, por meio da fé, não por participar de reuniões ou fazer boas obras (Efésios 2:8-9). Mas, quando uma pessoa passa a seguir Jesus, ela também passa a fazer parte de um povo. Por isso, no Novo Testamento, os cristãos aprendem a viver a fé juntos, e não apenas cada um por conta própria.
Jesus mandou seus discípulos amar uns aos outros e disse que esse amor mostraria que eles eram seus seguidores (João 13:34-35). É difícil viver esse ensino mantendo distância de todos. O amor aparece em atitudes concretas: ajudar alguém em necessidade, ouvir, perdoar, repartir e estar presente nos momentos difíceis. E nós também precisamos receber esse cuidado.
Paulo explica essa relação comparando a igreja a um corpo: cada pessoa tem uma função, e as partes precisam umas das outras (1 Coríntios 12:12-27). Isso não quer dizer que todo cristão precise fazer as mesmas coisas ou estar cercado de gente o tempo inteiro. Quer dizer que Deus nos dá capacidades pra servir outras pessoas, e usa outras pessoas pra cuidar de nós. Quando nos isolamos, perdemos os dois lados dessa relação.
Além disso, nem sempre enxergamos com clareza os próprios erros ou percebemos quando estamos desanimando. Por isso, Hebreus 10:24-25 orienta os cristãos a se reunir, encorajar uns aos outros e ajudar uns aos outros a praticar o amor e as boas obras. Gálatas 6:1 também fala de ajudar com mansidão quem caiu em pecado. Esse tipo de ajuda pede confiança e convivência; não acontece só por estarmos no mesmo lugar durante uma reunião.
Isso não significa que toda igreja seja um lugar seguro. Algumas pessoas se afastaram porque foram feridas, manipuladas ou maltratadas. Sua dor não deve ser tratada como falta de fé. Também há quem esteja impedido de frequentar uma comunidade por doença, distância ou outras circunstâncias. Estar nessa situação é diferente de achar que outros cristãos são desnecessários. E buscar comunhão não exige permanecer num ambiente abusivo: é possível procurar, com cuidado, uma comunidade onde haja ensino fiel à Bíblia e cuidado verdadeiro com as pessoas.
Então, o problema do “cristão solitário” não é passar tempo a sós com Deus. É transformar o isolamento em modo de vida. Seguir Jesus inclui amar, servir, encorajar e aceitar ajuda. Não fazemos isso perfeitamente, e nenhuma igreja é perfeita. Mas precisamos uns dos outros pra viver aquilo que Jesus nos ensinou.