Sentir atração por alguém, gostar da companhia dessa pessoa e querer demonstrar carinho não é errado. A Bíblia não trata o romance como algo vergonhoso. O livro de Cântico dos Cânticos, por exemplo, fala com alegria do desejo e do amor entre um homem e uma mulher. O cuidado está em não deixar que o sentimento, por mais forte que seja, decida sozinho o rumo de um relacionamento.
Isso porque romance e amor não são a mesma coisa. O romance envolve encanto, desejo e emoção. Já o amor também aparece nas escolhas: tratar o outro com respeito, ser fiel, ter paciência e não agir de modo egoísta. É assim que 1 Coríntios 13:4-7 descreve o amor. Uma pessoa pode sentir uma atração intensa e, ainda assim, não estar tratando bem quem diz amar. E um casal pode passar por dias sem aquele entusiasmo do começo sem que o amor tenha acabado.
A história de Jacó e Raquel mostra que um sentimento romântico pode fazer parte de um compromisso sério: Jacó aceitou trabalhar durante anos pra poder se casar com ela (Gênesis 29:18-20). Mas a Bíblia também mostra que desejar muito alguém não basta pra tornar uma escolha boa. Sansão insistiu em seguir sua vontade apesar dos alertas de seus pais, e sua história acabou marcada por decisões dolorosas (Juízes 14:1-3; 16:4-21).
Por isso, em vez de perguntar apenas “O que eu sinto por essa pessoa?”, vale perguntar: “Estamos sendo honestos um com o outro? Esse relacionamento nos ajuda a fazer o que é certo? Há respeito pelos limites e pela vontade do outro? Estamos dispostos a assumir as responsabilidades que nossas escolhas trazem?” Perguntas assim não diminuem o romance. Elas ajudam a perceber se existe algo mais firme por trás dele.
Também é bom lembrar que histórias de amor em filmes e livros costumam mostrar os momentos mais intensos e deixar de lado a convivência comum, os conflitos e a necessidade de perdoar. Se alguém espera sentir entusiasmo o tempo todo, pode concluir cedo demais que um relacionamento perdeu o valor. Sentimentos mudam; por isso, um relacionamento saudável não pode depender só deles.
A visão cristã, então, não é rejeitar o romance nem fazer dele o objetivo principal da vida. É recebê-lo como algo bom quando vem acompanhado de respeito, pureza e compromisso, sem confundir a força de uma emoção com a segurança de uma boa decisão. O romance pode aproximar duas pessoas; o amor é o que as ensina a cuidar uma da outra de verdade.