A Bíblia não dá um número de pecados que um cristão pode cometer antes de deixar de ser cristão. A pergunta mais importante é outra: o que acontece quando ele peca? Ele reconhece o pecado, se arrepende e busca mudar? Ou decide continuar nele sem se importar?
Ser cristão não significa nunca mais pecar. João escreveu a pessoas que criam em Jesus e disse que, se afirmamos não ter pecado, estamos enganando a nós mesmos. Ele também disse que, quando pecamos, podemos confessar nossos pecados a Deus, e que Jesus é nosso defensor diante do Pai (1 João 1:8–2:1). Por isso, uma queda — mesmo uma queda grave — não deve levar alguém a pensar que não há mais perdão. Deve levá-lo a se voltar pra Deus com sinceridade.
Mas o perdão não é uma licença pra pecar. Paulo enfrentou essa ideia diretamente: já que Deus nos trata com graça, poderíamos continuar pecando à vontade? Sua resposta foi não. Quem pertence a Cristo não deve tratar o pecado como se ele ainda mandasse em sua vida (Romanos 6:1-2). A mudança não acontece toda de uma vez, mas deve acontecer. O Espírito Santo trabalha na pessoa pra que ela abandone práticas pecaminosas e aprenda a viver de um jeito que agrada a Deus (Gálatas 5:16-23).
Isso também significa que um pecado grave não está fora do alcance do perdão de Jesus. Davi, por exemplo, cometeu adultério e foi responsável pela morte de Urias. A Bíblia não diminui o que ele fez: Davi precisou ser confrontado, confessou seu pecado e sofreu consequências dolorosas (2 Samuel 11–12; Salmo 51). Seu caso não nos dá motivo pra achar que pecados graves são pequenos. Mostra que o caminho, mesmo depois de uma queda terrível, é o arrependimento, não o desespero nem a desculpa.
Por outro lado, se alguém diz que é cristão, mas escolhe viver continuamente no pecado e não quer abandoná-lo, essa pessoa precisa levar muito a sério o alerta da Bíblia. Paulo fala de práticas pecaminosas que não devem definir a vida de quem foi unido a Cristo (1 Coríntios 6:9-11). Isso não nos autoriza a decidir, olhando de fora, exatamente quem é ou não é salvo. Autoriza, sim, um exame honesto: estou lutando contra o pecado ou tentando justificá-lo?
Então, a resposta é: um cristão ainda pode pecar e pode até cair gravemente, mas não deve fazer as pazes com o pecado. Quando cai, ele pode buscar o perdão de Deus, assumir sua responsabilidade e procurar ajuda pra mudar. A vida cristã não é uma conta de quantos pecados ainda são permitidos; é uma vida de confiança em Jesus e de arrependimento sempre que nos afastamos dele.