Ter bens não é, por si só, um problema. Precisamos de comida, roupa, casa e dinheiro pra cuidar das responsabilidades da vida. A questão é o lugar que essas coisas ocupam no nosso coração. O materialismo começa quando comprar, acumular ou ganhar mais se torna tão importante que passa a dirigir nossas escolhas e a nossa ideia de felicidade.
Jesus alertou que a vida de uma pessoa não depende da quantidade de bens que ela possui (Lucas 12:15). Ele também disse que ninguém pode servir a Deus e ao dinheiro como se os dois fossem seus senhores (Lucas 16:13). Isso não significa que todo cristão com dinheiro seja materialista, nem que todo cristão com pouco dinheiro esteja livre desse perigo. Uma pessoa pode ter muito e ser generosa; outra pode ter pouco e viver pensando apenas no que gostaria de possuir.
O perigo aparece quando começamos a dizer a nós mesmos: “Se eu conseguir mais isso, finalmente vou ficar satisfeito.” Jesus chamou a atenção pra esse efeito da riqueza ao explicar que sua preocupação pode sufocar a palavra de Deus no coração de alguém (Marcos 4:19). O desejo de ter mais pode ocupar tanto nossos pensamentos que deixamos de ouvir a Deus e de dar atenção ao que ele nos pede.
Eclesiastes observa que quem ama o dinheiro nunca se satisfaz com o dinheiro que tem (Eclesiastes 5:10). É uma experiência fácil de reconhecer: algo que parecia suficiente logo deixa de ser. Por isso, a Bíblia nos ensina a buscar primeiro o Reino de Deus (Mateus 6:33) e a aprender o contentamento, sem fazer das posses a nossa segurança (1 Timóteo 6:6-10, 17-19).
Então, o cristão pode receber e usar os bens materiais com gratidão, trabalhar, planejar e cuidar da família. Mas precisa manter a liberdade de compartilhar o que tem e de obedecer a Deus mesmo quando isso contraria seu desejo de ganhar mais. A pergunta não é apenas “quanto eu tenho?”, mas “o que está governando minhas decisões?”. Bens são úteis pra viver; não são capazes de dar à vida seu valor.