Não necessariamente. A resposta depende do que está sendo chamado de globalização. Se estamos falando de países que fazem comércio, trocam conhecimentos e se comunicam com mais facilidade, a Bíblia não manda o cristão ser contra isso. Mas, se essa aproximação entre os países for usada pra explorar pessoas, concentrar poder sem responsabilidade ou exigir obediência contrária a Deus, o cristão tem motivos pra se opor a essas práticas.
A Bíblia nos ajuda a fazer essa distinção. Em Gênesis 11, os construtores de Babel queriam permanecer reunidos numa só cidade e construir uma torre que lhes desse fama. Deus confundiu sua língua e os dispersou. O problema ali não era simplesmente que eles falavam a mesma língua ou trabalhavam juntos. Era a atitude de uma humanidade que buscava grandeza à sua própria maneira e resistia a se espalhar pela terra, como Deus havia ordenado (Gênesis 9:1; 11:4-9). Por isso, Babel é um alerta contra a arrogância humana, não uma proibição de toda cooperação entre povos.
Também não seria correto chamar qualquer comércio internacional de plano de Satanás. O próprio Novo Testamento mostra a mensagem de Jesus passando de um povo a outro. Em Pentecostes, pessoas de várias regiões ouviram as boas notícias em suas próprias línguas (Atos 2:5-11). E Jesus mandou seus discípulos fazer discípulos entre todas as nações (Mateus 28:19). Aproximar pessoas pode servir a propósitos bons; o que importa é como isso acontece e a quem isso beneficia.
Ao mesmo tempo, a Bíblia não nos deixa ingênuos diante do poder. Apocalipse 13 descreve uma autoridade que exige adoração e controla a possibilidade de comprar e vender. Cristãos entendem de formas diferentes quanto dessa visão se refere a acontecimentos futuros e como eles ocorrerão. Mas o alerta é claro: nenhum governante ou sistema econômico tem o direito de ocupar o lugar de Deus e exigir que as pessoas neguem a fé pra viver.
Então, em vez de aceitar ou rejeitar a globalização como um pacote inteiro, o cristão pode fazer perguntas mais úteis: isso trata as pessoas com justiça? Ajuda ou prejudica os mais vulneráveis? Dá a algum governo, empresa ou líder um poder que não deveria ter? Exige de mim algo contrário à vontade de Deus? Práticas injustas devem ser denunciadas, sejam locais ou mundiais.
Isso não significa agir com violência nem desrespeitar autoridades por qualquer discordância. A Bíblia ensina os cristãos a respeitá-las (1 Pedro 2:13-17). Mas essa obediência tem um limite: quando uma autoridade exige desobediência a Deus, os apóstolos afirmaram que era preciso obedecer a Deus antes que aos homens (Atos 5:29).
Em resumo, o cristão não precisa ser contra a ligação entre os países. Precisa ser fiel a Jesus dentro dela: aproveitar as oportunidades de fazer o bem e compartilhar o evangelho, defender quem sofre injustiça e recusar qualquer exigência que coloque o poder humano acima de Deus.