Podem guardar, sim, mas não precisam viver com medo nem tratar o estoque como sua segurança. A Bíblia não manda todo cristão armazenar alimentos para um desastre futuro. Também não proíbe que uma família se prepare, dentro das suas possibilidades, para uma emergência. A questão é fazer isso com prudência, sem deixar de confiar em Deus e sem fechar os olhos pra quem precisa de ajuda agora.
Há um exemplo claro de preparação na história de José. Deus lhe mostrou que, depois de anos de boas colheitas no Egito, viriam anos de fome. José orientou o faraó a guardar parte dos alimentos durante o tempo de fartura. Quando a fome chegou, essa reserva ajudou a sustentar muita gente (Gênesis 41:25-36, 46-57). Guardar alimentos, naquele caso, foi uma resposta sábia a uma necessidade futura.
Ao mesmo tempo, Jesus ensinou seus discípulos a não viverem ansiosos com o que comeriam ou vestiriam. Ele não disse que devemos ignorar as necessidades da família. Seu ensino é que a preocupação com o amanhã não deve dominar nossa vida: podemos buscar primeiro o Reino de Deus e confiar que o Pai conhece nossas necessidades (Mateus 6:25-34). Confiar em Deus e tomar providências sensatas não são coisas opostas.
Jesus também contou a história de um homem que teve uma colheita tão grande que decidiu construir depósitos maiores. O problema não foi simplesmente guardar a produção. Foi pensar que, por ter muitos bens, já podia garantir pra si mesmo uma vida longa e tranquila. Naquela mesma noite, ele morreu (Lucas 12:16-21). Suas reservas não podiam lhe dar a segurança que ele imaginava.
Por isso, vale examinar o que está por trás da preparação. Guardar água, alimentos ou itens básicos pra enfrentar uma falta temporária pode ser uma forma responsável de cuidar da casa. Mas, se a preparação passa a consumir o dinheiro necessário pras despesas de hoje, alimenta um medo constante ou nos torna indiferentes às necessidades dos outros, algo saiu do lugar. A Bíblia nos chama não só a cuidar da nossa família, mas também a repartir com quem precisa (1 Timóteo 5:8; 1 João 3:17-18).
Então, não há uma quantidade de suprimentos que todo cristão seja obrigado a guardar. Cada pessoa precisa considerar sua situação e pedir sabedoria a Deus (Tiago 1:5). Podemos nos preparar de modo simples e responsável, lembrando que nossos planos têm limites. Nosso estoque pode ser útil numa emergência; nossa confiança, porém, deve estar em Deus.