A primeira coisa é não concluir que a doença revela, por si só, o que a pessoa fez ou como Deus a vê. Uma infecção sexualmente transmissível — chamada de IST — pode ter sido contraída numa relação fora do casamento, mas também pode ter sido transmitida por um cônjuge infiel. Algumas podem ser transmitidas de mãe pra filho durante a gestação ou o parto, ou pelo contato com sangue contaminado. Ter uma IST não é prova de pecado pessoal, nem torna ninguém menos digno de cuidado e respeito.
Por isso, o primeiro passo é procurar atendimento de saúde. É importante confirmar o diagnóstico, seguir o tratamento indicado e perguntar ao profissional de saúde como evitar a transmissão. Pode ser necessário avisar parceiros que tenham sido expostos, pra que também façam exames e recebam tratamento. Isso pode ser difícil, mas é uma maneira concreta de cuidar de outras pessoas.
Depois, é preciso lidar com o que aconteceu, sem esconder a verdade e sem assumir uma culpa que não existe. Se a infecção veio da infidelidade do cônjuge, a pessoa traída não deve ser tratada como culpada. Além da preocupação com a saúde, ela pode estar enfrentando raiva, tristeza e uma profunda quebra de confiança. Ela precisa de apoio e pode buscar ajuda pastoral ou aconselhamento competente. O perdão é um ensinamento cristão, mas não exige fingir que a traição não aconteceu, abrir mão de cuidados médicos ou retomar imediatamente a confiança. Reconstruir um casamento, quando isso for possível, exige verdade e mudanças reais por parte de quem foi infiel.
Se a infecção veio de uma escolha sexual que a pessoa reconhece como pecado, a resposta cristã é o arrependimento, não o desespero. A Bíblia ensina que a sexualidade deve ser vivida com fidelidade no casamento (Hebreus 13:4; 1 Tessalonicenses 4:3-5). Arrepender-se é reconhecer diante de Deus o que houve e abandonar essa prática. A promessa de 1 João 1:9 é que Deus perdoa quem confessa seus pecados. A consequência física pode exigir cuidados por muito tempo, mas sua permanência não significa que Deus recusou o perdão.
Também é importante não inverter as coisas: a infecção não é o pecado. E uma pessoa que pecou, mas não contraiu nenhuma doença, não é por isso menos responsável pelo que fez. Jesus advertiu contra a ideia de que todo sofrimento permite apontar um culpado específico (João 9:1-3). Portanto, ninguém deve usar o diagnóstico de outra pessoa pra julgá-la ou humilhá-la.
Seja qual for a forma de transmissão, o cristão pode levar a Deus sua dor, buscar o cuidado de que precisa e agir com honestidade em relação às pessoas que possam ser afetadas. Quando houver pecado, há lugar pra confissão e mudança. Quando houver traição, há lugar pra apoio e proteção. Em nenhum dos casos a vergonha precisa ser a última palavra: em Cristo, há perdão pra quem se arrepende e amparo pra quem sofre (Romanos 8:1; 2 Coríntios 1:3-4).