Dominionismo cristão é um nome usado para ideias segundo as quais os cristãos devem conquistar influência ou controle sobre as instituições da sociedade — especialmente o governo — para que elas sejam dirigidas por princípios cristãos. O termo não descreve uma igreja ou um movimento único. Quem o usa pode estar falando de propostas bem diferentes. Por isso, é importante não chamar de dominionista todo cristão que participa da política ou defende leis que considera justas.
A dúvida principal é esta: a Bíblia manda os cristãos governar a sociedade em nome de Deus?
Uma passagem citada em favor dessa ideia é Gênesis 1:28. Ali, Deus dá à humanidade a responsabilidade de se multiplicar, ocupar a terra e exercer domínio sobre os seres vivos. Isso dá ao ser humano uma tarefa real no mundo criado. Mas o texto não diz que os seguidores de Jesus devem assumir o controle dos governos, nem que ocupar cargos de poder seja o caminho para estabelecer o reino de Deus.
As propostas chamadas de dominionistas também não são todas iguais. Algumas defendem que as leis civis devem seguir de perto as leis dadas a Israel no Antigo Testamento. Outras dão mais importância à presença de cristãos em áreas como governo, educação, comunicação e artes. Há ainda grupos que ligam essa influência a uma batalha espiritual. Essas diferenças importam: não seria justo atribuir todas essas crenças a qualquer pessoa que fale em “transformar a sociedade”.
Jesus ensinou seus discípulos a anunciar o evangelho e fazer discípulos entre todos os povos (Mateus 28:18-20). Ele também disse que seu reino não tem origem neste mundo (João 18:36). Isso não significa que a fé deva ficar fora da vida pública. Jesus chamou seus seguidores a fazer o bem de modo visível (Mateus 5:13-16), e a Bíblia ensina a buscar a justiça e cuidar das pessoas (Miqueias 6:8). Um cristão pode, portanto, servir no governo, trabalhar por leis justas e agir com responsabilidade em qualquer profissão.
A diferença está em não confundir esse serviço com a missão de tomar o poder para estabelecer o reino de Deus. Segundo o Novo Testamento, as pessoas recebem a salvação pela graça de Deus, por meio da fé em Cristo, não pela força de um governo cristão (Efésios 2:8-9). Cristãos podem contribuir para uma sociedade mais justa; não podem, por meio de influência política, produzir a transformação que só Deus faz no coração humano.