Não. Estar deprimido não significa, por si só, que a pessoa pecou ou que lhe falta fé. Um cristão pode amar a Deus e, ainda assim, passar por uma tristeza profunda ou por uma depressão que precisa de tratamento.
A palavra “deprimido” pode descrever coisas diferentes. Às vezes, a pessoa está triste por causa de uma perda ou de um período difícil. Em outros casos, ela enfrenta uma depressão que persiste, afeta o sono, a energia, os pensamentos e a capacidade de cuidar da vida diária. Situações dolorosas, problemas de saúde e outros fatores podem estar envolvidos. Por isso, não é justo olhar pra alguém e concluir, sem conhecê-lo, que tudo se resume a pecado, falta de oração ou falta de vontade.
A Bíblia não ensina que quem confia em Deus nunca sofre emocionalmente. Jesus chorou diante da morte de Lázaro (João 11:35). Elias, depois de uma experiência muito difícil, disse que não queria mais viver. Deus não começou repreendendo-o; primeiro providenciou comida e descanso pra ele e, depois, continuou a cuidar dele (1 Reis 19:3–8). Isso não quer dizer que Elias tivesse um diagnóstico de depressão como entendemos hoje. Mostra, porém, que Deus leva a sério o sofrimento de alguém que chegou ao limite.
Isso também não significa que nossos pensamentos e escolhas nunca precisem de atenção. Em meio à dor, uma pessoa pode precisar conversar sobre culpa, medo, conflitos ou ideias que não correspondem ao que Deus diz. Mas essas questões devem ser tratadas com cuidado, não usadas como explicação automática pra toda depressão. Quando Paulo orienta os cristãos a amparar os fracos e a ser pacientes com todos, ele mostra uma atitude bem diferente da de culpar rapidamente quem está sofrendo (1 Tessalonicenses 5:14).
Então, o que fazer? A pessoa deprimida pode falar com Deus com sinceridade, mesmo quando não consegue sentir esperança. Os salmos mostram pessoas levando a ele sua angústia sem fingir que estavam bem (por exemplo, Salmos 42–43). Ela também pode procurar apoio de pessoas de confiança e ajuda profissional. Fazer terapia ou usar medicamentos, quando indicados, não é falta de fé. A oração e o cuidado com a saúde não precisam competir entre si.
Confiar em Deus durante a depressão não é conseguir se sentir bem imediatamente. É poder recorrer a ele e receber ajuda, inclusive nos dias em que até isso parece difícil. E, se a pessoa pensa em tirar a própria vida ou corre perigo imediato, precisa contar a alguém de confiança e buscar atendimento de urgência sem esperar.
Estar deprimido não torna alguém um cristão pior. Quem sofre precisa de cuidado, paciência e ajuda adequada — não de mais culpa.