Pode, dependendo do que se quer dizer com “atenção plena” e do que a prática envolve. Prestar atenção ao que está acontecendo agora, perceber que estamos ansiosos e parar um pouco antes de reagir não tem nada de errado. Mas algumas práticas chamadas de atenção plena incluem ideias religiosas ou promessas sobre encontrar paz em si mesmo que um cristão precisa avaliar com cuidado.
“Atenção plena”, ou *mindfulness*, pode significar coisas diferentes. Às vezes é só um exercício de notar a respiração, as sensações do corpo e os pensamentos, sem se deixar levar imediatamente por eles. Isso pode ajudar alguém a perceber, por exemplo: “Estou irritado; preciso me acalmar antes de responder.” Nesse sentido, é uma forma de prestar atenção ao que se passa consigo. Outras vezes, a expressão se refere a práticas de meditação ligadas ao budismo, embora também existam versões usadas sem finalidade religiosa.
A diferença não está apenas no nome da técnica. Está também no que ela ensina e no lugar que ocupa na vida da pessoa. Observar um pensamento sem reagir na mesma hora pode ser prudente. Isso não significa aceitar que todo pensamento é bom ou verdadeiro. A Bíblia nos chama a examinar o que se passa em nós e a deixar que Deus oriente nossa maneira de pensar (Salmo 139:23-24; Romanos 12:2). Assim, um cristão pode reconhecer “estou com medo” sem concluir que precisa obedecer ao medo.
Também é bom não esperar de um exercício mais do que ele pode oferecer. Respirar com calma ou fazer uma pausa pode aliviar a tensão de um momento, mas não substitui a confiança em Deus. Paulo não diz aos cristãos apenas que observem a ansiedade: ele os convida a apresentar suas preocupações a Deus em oração e a ocupar o pensamento com o que é verdadeiro e bom (Filipenses 4:6-8). Jesus, por sua vez, fala de uma paz que ele dá aos seus discípulos (João 14:27).
Por isso, antes de adotar uma prática de atenção plena, vale perguntar: *O que estou fazendo, exatamente?* Estou apenas aprendendo a perceber meus pensamentos e a me acalmar, ou estou sendo convidado a aceitar crenças espirituais que não combinam com minha fé? Estou usando uma ajuda limitada pra lidar com o estresse, ou esperando que ela resolva, sozinha, minhas necessidades mais profundas?
Um cristão não precisa rejeitar o simples ato de parar e prestar atenção. Também não precisa chamar de “atenção plena” aquilo que a Bíblia já o ensina a fazer: examinar o coração, orar e pensar com cuidado diante de Deus. Ele pode aproveitar o que for útil e compatível com sua fé, sem entregar a uma técnica o lugar que pertence ao Senhor.