Um cristão tem bons motivos pra cuidar do meio ambiente: a terra pertence a Deus, e ele confiou às pessoas a responsabilidade de viver nela e usar seus recursos com cuidado. Isso não significa concordar com toda proposta chamada de “ambientalista”. Significa levar a sério o que fazemos com aquilo que Deus criou.
Em Gênesis 1:26-28, Deus dá aos seres humanos a tarefa de governar sobre os outros seres vivos e ocupar a terra. Essa tarefa lhes dá autoridade pra cultivar, construir, produzir alimento e aproveitar os recursos naturais. Mas autoridade não é licença pra desperdiçar ou destruir. A própria Bíblia diz que a terra pertence ao Senhor (Salmo 24:1). Nós a usamos, mas não somos seus donos absolutos.
Isso fica mais claro em Gênesis 2:15: Deus coloca o homem no jardim pra cultivá-lo e guardá-lo. As duas coisas andam juntas. Cuidar da criação não exige deixar a natureza intocada, como se fosse errado plantar ou construir. Também não combina com tirar dela tudo o que for possível sem pensar nas consequências. Por exemplo, é bom usar a terra pra produzir alimento; é irresponsável contaminá-la de um jeito que prejudique outras pessoas e dificulte seu uso no futuro.
As leis dadas a Israel também mostram que Deus se importa com a maneira como as pessoas usam a terra. Ele mandou que os campos descansassem no sétimo ano, deixando o que nascesse ali disponível também aos pobres e aos animais (Êxodo 23:10-11). Essa era uma ordem específica pra Israel, não uma regra que todo agricultor cristão precise seguir hoje. Mas ela revela algo importante: produzir e consumir não são as únicas coisas que importam pra Deus. O cuidado com a terra, com os animais e com as pessoas vulneráveis também importa.
Por isso, o cristão não precisa escolher entre amar as pessoas e cuidar do ambiente. Muitas vezes, cuidar de um é cuidar do outro. Quando a água de uma comunidade é poluída, por exemplo, são as pessoas que bebem aquela água que sofrem. Usar os recursos com responsabilidade, evitar desperdício e considerar o efeito das nossas escolhas sobre os outros são maneiras concretas de amar o próximo.
E quanto ao *ambientalismo*? A palavra pode se referir a coisas diferentes: desde o esforço pra reduzir a poluição até propostas políticas e ideias sobre o lugar do ser humano na natureza. Não seria justo aprovar ou rejeitar tudo isso de uma vez. O cristão pode apoiar uma medida que proteja a água, o solo ou as pessoas e, ao mesmo tempo, discordar de uma proposta específica. Também não precisa aceitar a ideia de que a natureza é divina ou de que o ser humano não tem valor especial. Segundo a Bíblia, homens e mulheres foram criados à imagem de Deus e receberam uma responsabilidade particular dentro da criação.
Por fim, saber que Deus promete novos céus e nova terra não torna o cuidado com o mundo atual inútil (2 Pedro 3:13; Apocalipse 21:1). A Bíblia não nos pede que garantamos, por nossa própria força, o futuro definitivo do planeta. Ela nos chama a ser fiéis agora, enquanto vivemos aqui. Assim como a esperança da vida futura não nos dispensa de cuidar das pessoas hoje, ela também não nos dispensa de tratar com responsabilidade a terra onde elas vivem.
Em resumo, o cristão não precisa fazer do ambientalismo sua fé nem tratar o cuidado ambiental como assunto sem importância. Pode avaliar cada ideia à luz da Bíblia e agir com gratidão a Deus, respeito pela sua criação e amor pelas pessoas.