A Bíblia não fala da criônica diretamente. Essa prática consiste em preservar o corpo de uma pessoa depois de sua morte, em temperaturas muito baixas, na esperança de que a medicina do futuro consiga reparar os danos, tratar a doença que causou a morte e trazê-la de volta à vida. Hoje, não existe um método capaz de fazer isso com uma pessoa.
Também vale distinguir as coisas: *criogenia* é o estudo e o uso de temperaturas extremamente baixas; *criônica* é essa tentativa específica de preservar pessoas após a morte. A pergunta bíblica, portanto, não é se o frio ou a pesquisa médica são errados. É se essa esperança de voltar a viver por meio da criônica tem fundamento e que lugar ela deve ocupar na vida de um cristão.
A Bíblia nos ensina a valorizar a vida. Cuidar dos doentes e buscar tratamentos não é falta de fé. Por isso, não seria correto dizer que toda tentativa de desenvolver técnicas de preservação é, por si só, pecado. Mas a criônica está muito além de um tratamento disponível: ela depende da esperança de que a ciência consiga, um dia, fazer algo que ainda não sabe fazer. É importante ser honesto sobre essa diferença, especialmente antes de assumir gastos tão altos.
Há também uma diferença entre tratamento médico e ressurreição. Nos evangelhos, Jesus trouxe pessoas mortas de volta à vida pelo poder de Deus, como aconteceu com Lázaro (João 11:38-44). Esses acontecimentos mostram o poder de Jesus; não são uma promessa de que uma técnica futura conseguirá produzir o mesmo resultado. Ao mesmo tempo, não precisamos afirmar que sabemos tudo o que a medicina jamais conseguirá fazer. Basta reconhecer que a criônica, hoje, não oferece a volta à vida que promete esperar.
Para a fé cristã, a esperança definitiva é outra. A Bíblia apresenta a morte como uma realidade séria e ensina que a vitória final sobre ela vem de Deus, por meio da ressurreição em Cristo (1 Coríntios 15:20-26, 42-57). Essa esperança não depende de um corpo ter sido preservado por uma empresa ou de uma tecnologia dar certo. Depende do poder e da promessa de Deus.
Isso não significa que toda pessoa interessada na criônica queira substituir Deus pela ciência. Não temos como julgar a intenção de cada um. Mas o cristão precisa se perguntar com sinceridade: *estou considerando isso como uma tentativa incerta de preservar meu corpo ou como a minha esperança de vencer a morte?* A segunda esperança, segundo a Bíblia, só pode estar em Cristo. Também é sensato considerar o custo e o que poderia ser feito com esses recursos para cuidar de pessoas que precisam de ajuda agora.
Em resumo, a Bíblia não proíbe expressamente a criônica, mas também não dá motivo para confiar nela como caminho de volta à vida. A pesquisa médica pode ser valorizada sem que uma possibilidade ainda não demonstrada ocupe o lugar da esperança cristã na ressurreição.