A Bíblia não estabelece uma idade pra isso. A pergunta mais importante é se a criança entende o que está fazendo. Mas é bom separar as duas coisas: batismo e Ceia não são a mesma decisão, e os cristãos não entendem o batismo de crianças da mesma maneira.
Sobre o batismo, muitas igrejas evangélicas entendem que ele deve vir depois de uma decisão pessoal de seguir Jesus. No livro de Atos, as pessoas ouvem a mensagem, creem e então são batizadas (Atos 2:38-41; 8:12). Nessa forma de entender o batismo, uma criança pode ser batizada quando consegue falar, com suas próprias palavras, sobre sua fé em Jesus e sobre por que deseja ser batizada. Não precisa explicar tudo perfeitamente. Mas também não deve ser batizada só porque chegou a certa idade, porque os amigos foram batizados ou porque quer agradar à família.
Outras igrejas cristãs batizam os filhos pequenos de famílias que seguem a Cristo. Elas entendem o batismo como um sinal de que a criança pertence à comunidade da fé, e consideram que ela precisará assumir pessoalmente essa fé ao crescer. Os textos bíblicos usados nesse debate são entendidos de maneiras diferentes; por isso, não seria correto dizer que todas as igrejas que levam a Bíblia a sério chegam à mesma conclusão sobre o batismo infantil.
Quanto à Ceia do Senhor, Jesus a deu aos seus seguidores pra se lembrarem dele (Lucas 22:19). Paulo também ensina que cada pessoa deve examinar a si mesma ao participar, reconhecendo a importância do que está fazendo (1 Coríntios 11:23-29). Por isso, não basta a criança querer comer o pão e beber o cálice porque viu os adultos fazendo isso. Ela precisa compreender, de maneira adequada à sua idade, que a Ceia aponta pra morte de Jesus e participar dela com fé e respeito.
Não existe uma idade em que todas as crianças passem a entender isso ao mesmo tempo. Uma pode demonstrar uma compreensão sincera mais cedo; outra pode precisar de mais tempo. Os pais podem conversar com ela sem transformar a conversa numa prova: pedir que conte quem é Jesus, por que deseja ser batizada ou participar da Ceia e o que acha que esses atos significam. A igreja pode ajudar nessa orientação, inclusive por meio de uma conversa com o pastor.
Há ainda uma diferença entre as práticas das igrejas: algumas só admitem à Ceia quem já foi batizado; outras tratam essas decisões de outro modo. A família deve conhecer a orientação de sua igreja e conversar com seus líderes.
Em qualquer caso, vale deixar algo bem claro pra criança: nem o batismo nem a Ceia salvam alguém. Nossa esperança está em Jesus, não nesses atos. O cuidado, portanto, não é apressar a criança nem exigir dela a maturidade de um adulto. É ensiná-la com paciência e ajudá-la a participar com entendimento e sinceridade.