O criacionismo progressivo é a ideia de que Deus criou o universo e os seres vivos ao longo de um tempo muito extenso, possivelmente bilhões de anos. Nessa visão, Deus não apenas deu início ao universo e deixou tudo acontecer sozinho: ele agiu em diferentes momentos da história da criação. Por isso, o criacionismo progressivo se distingue tanto da ideia de que a vida surgiu sem Deus quanto da ideia de que todos os seres vivos surgiram apenas por evolução, sem novas ações criadoras de Deus.
A pergunta mais difícil é o que fazer com os seis dias de Gênesis 1. Muitos criacionistas progressivos entendem esses dias como longos períodos, e não como dias comuns de aproximadamente 24 horas. Mas eles não concordam em todos os detalhes. Alguns aceitam o Big Bang como parte da história de como Deus criou o universo; outros não fazem dessa explicação um ponto essencial. Da mesma forma, nem todos têm a mesma posição sobre o dilúvio de Noé. Crer numa Terra antiga, por si só, não define o que alguém pensa sobre o dilúvio.
Então, essa visão é bíblica? A resposta precisa distinguir duas coisas: o que a Bíblia afirma claramente e como interpretamos os detalhes do relato da criação.
Gênesis 1 deixa claro que Deus é o criador de tudo o que existe. A criação não é um acidente nem o resultado de deuses em disputa. Gênesis 1–2 também apresenta o ser humano de um modo especial: homem e mulher são feitos à imagem de Deus. O Novo Testamento confirma que a existência de todas as coisas depende de Deus (João 1:3; Colossenses 1:16). Um criacionista progressivo pode afirmar tudo isso com convicção.
A dificuldade está na duração e na sequência da criação. Quem entende os dias de Gênesis como dias comuns observa que o texto fala repetidamente em tarde e manhã. Além disso, Êxodo 20:8-11 relaciona os seis dias da criação com os seis dias de trabalho seguidos pelo descanso no sétimo dia. Esses são argumentos importantes a favor da leitura de dias comuns; não devem ser deixados de lado.
Por outro lado, cristãos que entendem os dias como períodos mais longos argumentam que Gênesis 1 ensina, acima de tudo, *quem* criou e que tudo foi criado segundo a vontade de Deus. Eles também observam que o sétimo dia é apresentado de maneira diferente: ao contrário dos anteriores, não termina com a expressão sobre tarde e manhã. Isso, porém, não prova por si só que os outros seis dias duraram milhões de anos. Para sustentar o criacionismo progressivo, é preciso explicar também como seus longos períodos se relacionam com a sequência dos acontecimentos narrados em Gênesis.
Há ainda uma questão especialmente importante: existia morte antes do pecado de Adão? Se os animais viveram e morreram durante milhões de anos antes da criação do ser humano, a resposta do criacionismo progressivo é sim. Romanos 5:12 diz que o pecado entrou no mundo por meio de um homem e que, pelo pecado, veio a morte. O foco da passagem é a relação entre o pecado de Adão e a morte que alcança a humanidade. Por isso, alguns cristãos entendem que ela não está falando da morte dos animais antes de Adão. Outros consideram que a morte animal anterior ao pecado entra em conflito com o retrato bíblico da criação e com as consequências da queda. É uma divergência real; não basta citar Romanos 5:12 sem explicar a quem Paulo está se referindo.
Assim, o criacionismo progressivo pode manter ensinamentos centrais da Bíblia, como Deus ser o criador e o ser humano ter sido feito à sua imagem. Mas sua explicação dos longos períodos de criação é discutida entre cristãos que levam a Bíblia a sério. Gênesis não diz expressamente que os dias duraram milhões de anos, e as razões para aceitar uma Terra muito antiga vêm principalmente do estudo do mundo natural. Ao mesmo tempo, a Bíblia não fornece uma idade numérica para a Terra.
O melhor, portanto, é não confundir a certeza de que Deus criou todas as coisas com a certeza sobre *quanto tempo* ele levou para fazê-lo. A primeira é um ensino claro das Escrituras. A segunda depende de como entendemos as passagens sobre a criação e de como avaliamos as evidências sobre a história do universo e da Terra.