O criacionismo da Terra jovem é a ideia de que Deus criou o mundo em seis dias comuns e de que a Terra tem apenas alguns milhares de anos, não bilhões. Seus defensores entendem que Gênesis 1 descreve a sequência real da criação e que as genealogias bíblicas ajudam a calcular quanto tempo se passou desde os primeiros seres humanos.
Essa posição reúne duas afirmações diferentes. A primeira é que Deus criou todas as coisas. Isso é um ensinamento central da fé cristã, afirmado em Gênesis 1:1. A segunda é que a criação aconteceu há poucos milhares de anos. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia chegam a conclusões diferentes sobre essa questão da idade da Terra.
Por que os criacionistas da Terra jovem falam em seis dias comuns? Em Gênesis 1, cada dia da criação é numerado e acompanhado pelas expressões “tarde” e “manhã”. Para eles, a leitura mais natural é que se trata de dias como os nossos. Eles também observam que, em Êxodo 20:8-11, a semana de trabalho e descanso do povo de Israel é relacionada aos seis dias da criação e ao descanso de Deus no sétimo dia.
Quanto à idade da Terra, a Bíblia não fornece um número. A estimativa de alguns milhares de anos vem de cálculos feitos a partir das genealogias e de outros períodos mencionados nas Escrituras. Por isso, nem todos os criacionistas da Terra jovem chegam à mesma data. Também há uma dúvida importante: as genealogias bíblicas registram todas as gerações sem intervalo? Se não registrarem, não dá pra usá-las como um calendário exato desde a criação.
Muitos defensores dessa posição também entendem que o dilúvio dos dias de Noé atingiu toda a Terra, conforme leem Gênesis 6–9. Alguns propõem outras explicações sobre o passado do planeta, mas elas não fazem parte da definição básica do criacionismo da Terra jovem. A ideia de que Deus criou o mundo com uma aparência inicial de idade, por exemplo, é defendida por alguns, não por todos.
Um ponto que costuma aparecer nessa conversa é a morte antes do pecado de Adão. Romanos 5:12 ensina que o pecado entrou no mundo por meio de um homem e que, por meio do pecado, veio a morte. Alguns criacionistas da Terra jovem concluem que não havia morte alguma antes da queda, nem mesmo entre os animais. Outros cristãos entendem que o argumento de Paulo trata principalmente da morte humana. O texto liga claramente o pecado de Adão à morte, mas a questão específica da morte dos animais antes dele é debatida.
A principal dificuldade dessa posição diante da ciência é que os métodos usados para estudar rochas, fósseis e o universo apontam, em geral, pra uma Terra com cerca de 4,5 bilhões de anos. É importante não confundir esses métodos com a datação por carbono, que é usada pra materiais orgânicos muito mais recentes, não pra determinar a idade da Terra. Os criacionistas da Terra jovem questionam as interpretações desses dados ou as premissas dos métodos usados. Isso não significa, porém, que todos os cientistas que aceitam uma Terra antiga sejam ateus, nem que aceitem essa idade apenas porque foi o que aprenderam.
Em resumo, o criacionismo da Terra jovem é uma maneira de entender como e quando Deus criou o mundo: seis dias comuns, há poucos milhares de anos. A Bíblia afirma com clareza que Deus é o Criador. Já a duração dos dias de Gênesis 1 e a idade da Terra são assuntos sobre os quais cristãos fiéis à Bíblia discordam.