Depende do que se quer dizer com “criacionismo científico”. Crer que Deus criou o universo é uma convicção bíblica. Já tentar demonstrar essa convicção pelos métodos da ciência é outra coisa. As duas podem conversar entre si, mas não devem ser confundidas.
A Bíblia ensina que Deus é o Criador de todas as coisas (Gênesis 1:1; João 1:3). Isso responde a uma pergunta fundamental: a quem o universo deve sua existência? A ciência costuma trabalhar com outro tipo de pergunta: como os fenômenos acontecem? Ela observa, mede, compara explicações com as evidências e, quando possível, testa suas previsões. Por esse método, um cientista pode estudar a idade de uma rocha ou as semelhanças entre seres vivos. Mas não pode colocar o ato de Deus criar o universo num experimento repetível.
Isso não significa que a fé na criação seja irracional, nem que um cristão precise rejeitar a ciência. Significa apenas que a afirmação “Deus criou” não é, por si só, uma conclusão obtida em laboratório. Um cristão pode fazer pesquisas científicas rigorosas e, ao mesmo tempo, crer que o mundo que estuda foi criado por Deus.
Também é importante distinguir duas ideias que parecem iguais, mas não são. Ao investigar um fenômeno, a ciência procura causas naturais que possam ser examinadas. Isso é uma maneira de trabalhar; não prova que Deus não existe ou não age. Já dizer que *somente* a natureza existe, e que Deus está excluído de antemão, é uma posição filosófica, não um resultado de experimento.
Da mesma forma, quando alguém propõe uma explicação científica com base na criação, essa explicação precisa ser avaliada pelo que afirma e pelas evidências que apresenta. Não basta apontar algo que a ciência ainda não explicou e concluir que isso prova uma ação especial de Deus. E nem toda proposta chamada de “criacionismo científico” tem a mesma força: algumas fazem afirmações testáveis sobre o mundo; outras dependem principalmente de uma interpretação de Gênesis.
A evolução é um bom exemplo de por que essas distinções importam. A teoria da evolução trata da história e da diversidade dos seres vivos, e há muitas evidências científicas de mudanças nas populações ao longo do tempo. Já a pergunta sobre como a vida surgiu pela primeira vez é outra questão. Não seria correto rejeitar toda a evolução apenas porque a origem da vida ainda apresenta dificuldades. Também não seria correto afirmar que estudar processos naturais prova que Deus não criou.
Entre cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia, há diferenças sobre como entender os dias de Gênesis 1, a idade da Terra e a relação entre criação e evolução. Essas diferenças não apagam o ensinamento central do texto: o mundo não é Deus nem surgiu independentemente dele; Deus é seu Criador. Gênesis também apresenta os seres humanos como feitos à imagem de Deus, com uma dignidade e uma responsabilidade especiais (Gênesis 1:26-27).
Então, o criacionismo é científico? A crença bíblica na criação não é uma teoria científica no sentido comum da expressão. Propostas específicas feitas em nome do criacionismo podem abordar questões científicas, mas precisam ser julgadas com os mesmos cuidados exigidos de qualquer outra proposta. Crer no Criador e investigar a criação não são atividades incompatíveis. O cuidado é não pedir que a ciência prove, sozinha, tudo o que a Bíblia ensina — nem usar a ciência como se ela pudesse decidir, sozinha, que Deus não existe.