Em Romanos 8:19, Paulo diz que a criação aguarda o dia em que os filhos de Deus serão revelados. Ele não quer dizer que a natureza sabe o que vai acontecer ou espera por isso como uma pessoa. É uma maneira de mostrar que o mundo criado também será afetado pelo que Deus fará no futuro.
Pra entender essa espera, precisamos olhar pro que acontece hoje. Deus criou um mundo bom, mas a desobediência humana trouxe consequências que não ficaram restritas às pessoas. Em Gênesis 3:17-19, a terra passa a produzir com dificuldade, e o trabalho humano se torna penoso. Em Romanos 8:20-22, Paulo diz que a criação está sujeita à frustração e à deterioração. Ela não está como Deus pretende que fique pra sempre.
E quem são os “filhos de Deus” que a criação espera ver revelados? São as pessoas que pertencem a Cristo. Paulo já disse que o Espírito de Deus confirma que elas são seus filhos (Romanos 8:15-16). Portanto, elas já são filhos de Deus. O que ainda falta não é receber essa identidade, mas vê-la plenamente manifestada. Hoje, os cristãos ainda sofrem e morrem. No futuro, Deus completará sua obra neles, inclusive com a redenção do corpo (Romanos 8:23). Então ficará evidente o que agora conhecemos pela fé.
A criação aguarda esse momento porque sua própria libertação está ligada a ele. Paulo explica que ela também será livre da deterioração e participará da liberdade que acompanhará a glória dos filhos de Deus (Romanos 8:21). Isso não significa que a natureza será adotada como filha de Deus. Significa que a restauração das pessoas que pertencem a Cristo virá acompanhada da libertação da criação.
Por isso Paulo compara a condição atual da criação às dores de um parto (Romanos 8:22). A comparação não diminui o sofrimento presente. Ela mostra que esse sofrimento não é o fim da história. Nós também sentimos seus efeitos e aguardamos, com esperança, o dia em que Deus completará o que começou (Romanos 8:23-25).
Assim, a “grande expectativa da criação” é uma forma de dizer que a criação não permanecerá pra sempre sujeita à deterioração. Quando Deus revelar plenamente seus filhos, ela também será libertada. É por isso que, depois de falar dos sofrimentos de agora, Paulo aponta pra uma esperança que alcança não só os cristãos, mas o mundo que Deus criou.