Os amish são comunidades cristãs conhecidas pelas roupas simples, pelo uso de cavalos e charretes e por não adotarem certas tecnologias. Mas essas escolhas fazem parte de uma crença maior: eles procuram viver de maneira simples, cuidar uns dos outros e não deixar que os costumes da sociedade determinem o modo como seguem a Deus.
Suas origens estão no movimento anabatista, que surgiu na Europa durante a Reforma Protestante. Os anabatistas defendiam, entre outras coisas, que o batismo deveria acontecer depois de uma decisão pessoal de seguir a Cristo, e não na infância. No fim do século XVII, um grupo ligado a Jakob Ammann se separou de outros anabatistas. Desse grupo vieram os amish, que têm uma história próxima à dos menonitas. Hoje, a maioria vive nos Estados Unidos e no Canadá.
Os amish creem em Jesus Cristo, leem a Bíblia e dão grande importância à obediência aos seus ensinamentos. Costumam destacar a humildade, a vida em comunidade, o perdão e a recusa da violência. Por isso, em geral, não prestam serviço militar. Eles também não batizam bebês: a pessoa é batizada quando decide assumir o compromisso de fazer parte da igreja.
A maneira de viver dos amish chama atenção, mas é importante não pensar que todos seguem exatamente as mesmas regras. Cada comunidade tem suas orientações sobre roupas, transporte, trabalho e uso de aparelhos. Muitas não usam automóveis como meio de transporte pessoal nem se ligam à rede elétrica pública, mas podem aceitar certas tecnologias no trabalho ou em situações específicas. O objetivo não é simplesmente rejeitar tudo o que é moderno. Ao decidir se vão usar algo, eles procuram considerar como aquilo afetará a família, a comunidade e a vida de fé.
Essas orientações também explicam por que a decisão de entrar na igreja é tão importante para um jovem amish. Em geral, ela acontece antes do batismo. Alguns jovens passam por um período em que conhecem melhor a vida fora da comunidade; outros não. Não é correto dizer que todos recebem permissão para abandonar as regras ou experimentar qualquer comportamento. Depois do batismo, espera-se que a pessoa cumpra os compromissos da comunidade. Se ela persistir em desobedecer às orientações da igreja, pode sofrer medidas de disciplina, inclusive o afastamento do convívio religioso. A forma de aplicar essas medidas varia.
Como avaliar essas crenças à luz da Bíblia? Há ensinamentos bíblicos que ajudam a entender e valorizar escolhas dos amish. Jesus ensinou seus seguidores a não viver em busca de riquezas e a amar o próximo. Tiago 1:27 fala de cuidar de quem precisa e de não se deixar corromper pelo mundo. A vida simples pode ajudar alguém a pôr isso em prática. Mas a Bíblia não diz que dirigir um carro, usar eletricidade ou ter telefone seja pecado. Essas são decisões das comunidades amish, não regras dadas a todos os cristãos.
A questão mais importante é a salvação. A Bíblia ensina que ninguém é aceito por Deus porque conseguiu cumprir uma lista de regras. Somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus Cristo; as boas obras vêm como resultado dessa fé, não como pagamento pela salvação (Efésios 2:8-10). Seria injusto afirmar que todo amish acredita poder ganhar o céu por suas próprias obras. Ao mesmo tempo, quando a obediência às regras da comunidade passa a ser tratada como base da aceitação diante de Deus, ela ocupa um lugar que pertence somente a Cristo.
Portanto, os amish são cristãos de tradição anabatista que procuram seguir Jesus por meio de uma vida simples e comunitária. Podemos reconhecer o valor que dão à família, à ajuda mútua e ao perdão sem concluir que seus costumes sejam obrigatórios pra todos. O ponto decisivo, pra eles e pra qualquer pessoa, não é viver sem tecnologia, mas confiar em Jesus e deixar que essa fé transforme a maneira de viver.