A Bíblia não proíbe os casais de evitar ou adiar uma gravidez. Ela também não manda que todo casal tenha o maior número possível de filhos. Por isso, a resposta não é simplesmente “os cristãos devem usar anticoncepcionais” ou “nunca devem usar”. O casal precisa pensar nos seus motivos, no método escolhido e nas responsabilidades que tem diante de Deus.
A Bíblia fala dos filhos com muito carinho. Ela os chama de dádiva de Deus (Salmo 127:3) e ensina que Deus cuida da vida humana desde o ventre materno (Salmo 139:13-16). Então, uma decisão sobre ter filhos não deve nascer do desprezo pelas crianças, nem da ideia de que elas são apenas um problema a evitar. Ao mesmo tempo, reconhecer que os filhos são uma bênção não significa que seja errado planejar quando tê-los. Um casal pode amar as crianças e, ainda assim, entender que precisa esperar por motivos de saúde, pelas condições de cuidar de um filho ou por outras responsabilidades sérias.
Uma passagem que costuma aparecer nessa conversa é a história de Onã, em Gênesis 38:8-10. Depois da morte de seu irmão, ele deveria dar a Tamar a possibilidade de ter um filho que preservasse a descendência do falecido. Onã teve relações com ela, mas agiu deliberadamente pra impedir que isso acontecesse. O texto destaca que ele sabia qual era sua responsabilidade e se recusou a cumpri-la. Por isso, essa história não estabelece uma proibição geral de métodos anticoncepcionais. Ela condena o modo como Onã tratou Tamar e fugiu do dever que tinha com ela.
Isso não quer dizer que qualquer decisão ou método seja automaticamente bom. Vale perguntar: por que queremos evitar uma gravidez? Estamos decidindo juntos, com respeito um pelo outro? Estamos levando a sério tanto a vida de um possível filho quanto nossa capacidade de cuidar dele? A Bíblia orienta o cristão a agir com sabedoria, amor e consciência limpa diante de Deus (Tiago 1:5; Romanos 14:23).
Também é importante distinguir evitar uma gravidez de interromper uma gravidez já iniciada. Quem tem dúvidas sobre o funcionamento de um método específico deve buscar informações médicas confiáveis, em vez de decidir com base na afirmação genérica de que toda pílula ou todo DIU causa aborto. Os métodos não funcionam todos da mesma maneira, e esse assunto merece cuidado e precisão.
Portanto, cristãos podem considerar o uso de anticoncepcionais no casamento sem concluir que estão desobedecendo a uma proibição bíblica. Podem também decidir não usá-los. A Bíblia não fixa o número certo de filhos nem determina a época certa pra cada casal tê-los. Ela dá princípios pra que essa escolha seja feita com responsabilidade diante de Deus, respeito mútuo e consideração pela vida.