Pastor Antônio Junior

Mensagens evangélicas, devocionais e perguntas e respostas do Pastor Antônio Junior.

O que continua e o que muda do Antigo para o Novo Testamento?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Essa é a pergunta por trás do debate sobre continuidade e descontinuidade na teologia. A Bíblia conta uma história só, mas, quando Jesus veio, algumas coisas permaneceram e outras mudaram. O debate é sobre como entender essa relação — e o que ela significa pra quem segue a Cristo hoje.

Um exemplo ajuda. No Antigo Testamento, Deus ordenou que Israel oferecesse sacrifícios de animais. No Novo Testamento, os cristãos não recebem essa ordem. Isso não quer dizer que Deus mudou de ideia sobre o pecado ou sobre a necessidade de perdão. Quer dizer que aqueles sacrifícios apontavam pra algo que Jesus realizou de modo definitivo com sua morte (Hebreus 10:1-12). Há continuidade no propósito de Deus e uma mudança importante na maneira como esse propósito se cumpriu.

Jesus expressou essa relação ao dizer que não veio abolir a Lei e os Profetas, mas cumpri-los (Mateus 5:17). Por isso, não dá pra tratar o Antigo Testamento como se tivesse perdido o valor. Ao mesmo tempo, cumprir não significa simplesmente deixar tudo como era antes. Gálatas 3:24-25, por exemplo, explica que a Lei teve um papel de conduzir o povo até Cristo e que, depois da vinda dele, essa situação mudou.

A discussão aparece especialmente em duas perguntas. Qual é a relação entre Israel e a igreja? Deus fez promessas a Israel no Antigo Testamento. No Novo, pessoas de outras nações também passam a participar das bênçãos de Deus por meio de Cristo. Paulo usa a figura de ramos enxertados numa oliveira pra falar da inclusão desses não judeus e, ao mesmo tempo, adverte que Deus não rejeitou Israel (Romanos 11). Os cristãos concordam quanto à inclusão dos não judeus, mas divergem sobre como algumas promessas feitas a Israel ainda se cumprirão.

A outra pergunta é: como a Lei dada a Israel se aplica aos cristãos? O Novo Testamento ensina que os cristãos não precisam oferecer sacrifícios de animais nem guardar toda a Lei de Moisés como condição pra pertencer ao povo de Deus (Atos 15; Gálatas 3:24-25). Isso, porém, não significa que a vontade de Deus expressa no Antigo Testamento deixou de importar. Jesus e os apóstolos continuam ensinando, por exemplo, que devemos amar a Deus, amar o próximo e abandonar o pecado (Mateus 22:37-40; Romanos 13:8-10). A questão é entender cada mandamento à luz do que Cristo fez e do que o Novo Testamento ensina.

Algumas correntes teológicas dão respostas diferentes a essas perguntas. A chamada teologia do pacto costuma destacar mais a unidade do povo de Deus ao longo da Bíblia. A teologia dispensacional costuma destacar mais as diferenças entre Israel e a igreja e entre os períodos da história bíblica. Essas descrições ajudam a entender o debate, mas são apenas um ponto de partida: existem diferenças de opinião dentro de cada corrente, e nenhuma delas afirma que *tudo* continuou ou que *tudo* mudou.

Então, a resposta mais segura não é escolher “continuidade” ou “descontinuidade” pra Bíblia inteira. É perguntar, em cada assunto: o que Deus prometeu, a quem ele deu aquela orientação e o que mudou com a vinda de Jesus? Assim podemos reconhecer tanto a unidade da história bíblica quanto a novidade real da nova aliança anunciada em Jeremias 31:31-34 e apresentada no Novo Testamento em relação a Cristo (Hebreus 8:6-13).