Salomão sabia ensinar o que era certo, mas não viveu de acordo com tudo o que sabia. A Bíblia não revela por que ele fez essas escolhas. O que ela mostra é que, apesar da sabedoria que Deus lhe deu, Salomão acumulou esposas, se apegou a mulheres que adoravam outros deuses e, na velhice, acabou seguindo esses deuses também (1 Reis 11:1-8).
Há uma distinção importante aqui. Em Provérbios, Salomão alerta especialmente contra o adultério e outros relacionamentos sexuais que levam a pessoa a desobedecer a Deus (Provérbios 5–7). Já o relato sobre sua vida destaca outro erro: ele teve setecentas esposas e trezentas concubinas. A Lei de Deus advertia que o rei não deveria acumular esposas, justamente para que seu coração não se afastasse do Senhor (Deuteronômio 17:17; 1 Reis 11:3). Portanto, nem todas as advertências de Provérbios tratam exatamente da situação de Salomão. Mas o princípio que ele ensinava também se aplicava a ele: não adianta conhecer o perigo e continuar fazendo escolhas que levam até ele.
O relato de 1 Reis é bem claro sobre o que aconteceu. Salomão se apegou a muitas mulheres estrangeiras, embora Deus tivesse advertido os israelitas de que essas uniões poderiam levá-los a adorar outros deuses. Foi isso que aconteceu. Quando Salomão envelheceu, suas esposas o influenciaram a seguir os deuses delas, e ele chegou a construir lugares de adoração para esses deuses (1 Reis 11:1-8). Não foi apenas uma questão de ter muitas mulheres; seu coração deixou de ser fiel ao Senhor.
Às vezes se sugere que Salomão escreveu seus conselhos depois de sofrer as consequências dos próprios erros. Isso é possível em relação a algumas palavras de Provérbios, mas a Bíblia não nos dá uma sequência de datas que permita afirmar isso. Também não diz que ele se arrependeu no fim da vida. Não precisamos supor nenhuma dessas coisas pra entender o relato.
A resposta mais segura, então, é esta: Salomão conhecia a vontade de Deus e podia ensiná-la com sabedoria, mas escolheu não obedecer a ela nessa parte da vida. Sua história nos lembra que saber o que é certo, por si só, não nos protege de fazer o que é errado. É preciso levar a sério aquilo que Deus diz — inclusive quando a advertência se aplica a nós mesmos.