O Concílio de Jerusalém respondeu a uma pergunta que poderia dividir a igreja: uma pessoa que não era judia precisava seguir a Lei de Moisés para ser salva por Jesus? A resposta dos apóstolos e líderes da igreja foi não. Judeus e não judeus são salvos pela graça do Senhor Jesus, não pela circuncisão nem pela obediência à Lei como condição para receber a salvação (Atos 15:1, 5, 11).
Pra entender por que isso precisou ser discutido, vale lembrar como a igreja começou. Os primeiros discípulos de Jesus eram, em sua maioria, judeus. Eles conheciam a Lei de Moisés e costumes como a circuncisão. Mas o evangelho também chegou aos não judeus, chamados de *gentios*. Pedro viu pessoas gentias receberem o Espírito Santo quando creram em Jesus (Atos 10). Depois, Paulo e Barnabé anunciaram o evangelho a muitos outros gentios (Atos 13–14).
Então surgiu a dúvida: essas pessoas precisavam primeiro adotar os costumes judaicos para pertencer ao povo de Deus? Alguns cristãos de origem judaica diziam que sim. Em Antioquia, certos homens chegaram a ensinar que, sem a circuncisão, os gentios não poderiam ser salvos. Paulo e Barnabé discordaram, e a questão foi levada aos apóstolos e líderes da igreja em Jerusalém (Atos 15:1–6).
Na reunião, Pedro lembrou o que Deus já tinha feito. Os gentios haviam recebido o Espírito Santo pela fé, antes de serem circuncidados ou passarem a seguir a Lei de Moisés. Por isso, Pedro perguntou por que deveriam impor a eles uma obrigação que nem os próprios judeus tinham conseguido cumprir plenamente. Sua conclusão foi clara: todos dependem da graça de Jesus pra ser salvos (Atos 15:7–11).
Paulo e Barnabé também contaram o que Deus vinha fazendo entre os gentios. Depois, Tiago mostrou, com base nos profetas, que a chegada de pessoas de outras nações ao povo de Deus não era algo inesperado. Ele propôs que não se dificultasse a vida dos gentios que estavam se voltando pra Deus (Atos 15:12–19).
A decisão, porém, não foi: “Agora cada um pode viver de qualquer jeito.” A igreja enviou uma carta pedindo aos cristãos gentios que evitassem alimentos ligados à idolatria, carne de animais estrangulados, sangue e imoralidade sexual (Atos 15:20, 28–29). Essas orientações não eram requisitos pra conquistar a salvação. A carta deixa claro que os líderes não aprovaram a exigência da circuncisão feita por aqueles homens (Atos 15:24). As orientações tratavam da vida prática dos novos cristãos, inclusive de questões que poderiam prejudicar a convivência entre judeus e gentios. A imoralidade sexual, em particular, não era apenas uma questão de convivência: ela contrariava a maneira como Deus chama seu povo a viver.
A importância do concílio, portanto, vai além daquela reunião. Ele deixou claro que uma pessoa não precisa se tornar judia pra seguir Jesus. Também mostrou que os cristãos podem levar a sério a vontade de Deus sem transformar costumes ou regras da Lei de Moisés em condições pra serem aceitos por ele. A salvação vem pela graça de Jesus; a maneira de viver de quem crê deve corresponder a essa fé e levar em conta o bem dos irmãos.