A consciência é a capacidade de perceber que nossas escolhas têm um lado moral. Ela nos ajuda a avaliar o que fazemos, dizemos e pensamos. Às vezes, nos acusa: sabemos que fizemos algo errado, mesmo que ninguém tenha visto. Em outras ocasiões, nos deixa tranquilos por termos agido de acordo com o que entendemos ser certo.
A Bíblia mostra que essa capacidade não pertence apenas a quem conhece as Escrituras. Em Romanos 2:14-15, Paulo fala de pessoas que não tinham recebido a Lei de Moisés, mas ainda assim percebiam que certas atitudes eram certas ou erradas. A consciência delas participava desse julgamento, ora acusando, ora defendendo suas ações.
Mas a consciência não acerta sempre. Ela avalia nossas atitudes conforme aquilo que entendemos sobre o bem e o mal, e esse entendimento pode estar incompleto. O próprio Paulo disse que não tinha consciência de nenhuma falta em seu serviço a Deus, mas acrescentou que isso, por si só, não provava que ele estava certo: quem o julgava era o Senhor (1 Coríntios 4:4). Por isso, sentir-se em paz não significa necessariamente que uma atitude agrada a Deus. E sentir culpa nem sempre significa que houve pecado.
Um exemplo aparece na igreja de Corinto. Alguns cristãos sabiam que um ídolo não era um deus verdadeiro e, por isso, não consideravam errado comer uma comida que tivesse sido oferecida a ele. Outros, por causa da antiga ligação que tinham com a idolatria, ainda não conseguiam comer aquela comida sem sentir que estavam participando de algo errado. Paulo não mandou os primeiros desprezarem os segundos. Ele ensinou que deviam levar a sério a consciência do irmão e não usar sua liberdade de um jeito que o levasse a agir contra aquilo que acreditava ser certo (1 Coríntios 8:4-13).
Então, o que fazer com a consciência? Precisamos ouvi-la, mas também aprender a avaliá-la à luz da Palavra de Deus. Se ela nos alerta sobre um pecado, a resposta não é calar a culpa, mas reconhecer o erro e buscar o perdão de Deus (1 João 1:9). Se ela nos acusa por algo que Deus não proíbe, precisamos compreender melhor a verdade, em vez de viver presos a uma culpa sem fundamento. E devemos tomar cuidado para não ignorar repetidamente seus alertas, pois a Bíblia também fala de uma consciência que se tornou insensível (1 Timóteo 4:1-2).
Em resumo, a consciência é uma ajuda importante dada por Deus para examinarmos nossa vida. Mas ela precisa ser orientada pela verdade: não substitui a Palavra de Deus nem é a palavra final sobre nós.