A conquista de Canaã foi a entrada dos israelitas na terra que Deus havia prometido aos descendentes de Abraão. Ela não aconteceu de uma vez só. Sob a liderança de Josué, Israel atravessou o rio Jordão, venceu reis e cidades importantes e passou a ocupar a região. Mas a história não terminou com as vitórias de Josué: ainda restavam áreas que as tribos precisavam ocupar, e muitas delas não fizeram isso completamente.
Pra entender por que Israel chegou ali, precisamos voltar um pouco. Deus havia prometido Canaã a Abraão, mas disse que seus descendentes viveriam por muito tempo em outra terra antes de voltar. Anos depois, a família de Jacó foi morar no Egito. Seus descendentes cresceram em número, foram escravizados e, por fim, Deus os libertou por meio de Moisés (Gênesis 15:13-16; Êxodo 1–12).
Israel poderia ter entrado em Canaã pouco depois de sair do Egito. Moisés enviou doze homens pra conhecer a terra. Eles viram que ela era boa, mas também que seus habitantes eram fortes. Dez concluíram que Israel não conseguiria conquistá-la; Josué e Calebe confiaram que Deus os ajudaria. O povo se recusou a entrar, e aquela geração passou quarenta anos no deserto. Quando chegou a hora de uma nova geração entrar, Moisés já havia morrido, e Josué assumiu a liderança (Números 13–14; Deuteronômio 34; Josué 1).
A primeira grande vitória foi Jericó. Depois que Israel atravessou o Jordão, Deus deu instruções incomuns: o povo deveria rodear a cidade durante sete dias. No último dia, as muralhas caíram, e os israelitas tomaram Jericó. Raabe, que havia acolhido os homens enviados por Josué, foi poupada com sua família (Josué 2–6).
Em seguida veio uma derrota inesperada. Israel atacou a cidade de Ai e perdeu. O livro de Josué conta que Acã havia desobedecido à ordem de não tomar para si objetos de Jericó. Depois que essa desobediência foi tratada, Israel voltou a atacar Ai e a venceu (Josué 7–8). Esse episódio deixa claro um ponto importante da narrativa: Israel não podia tratar a conquista como se a vitória dependesse apenas da força do seu exército.
Canaã não era um país governado por um único rei. Havia várias cidades e regiões com seus próprios governantes. Por isso, depois de Jericó e Ai, Josué enfrentou alianças de reis no sul e no norte. O relato também descreve intervenções extraordinárias de Deus, como o dia da batalha em que o sol permaneceu no céu por mais tempo (Josué 10–11). Com essas vitórias, Israel derrotou os principais grupos que resistiam à sua entrada.
Isso não quer dizer que cada cidade já estivesse ocupada por Israel. Josué distribuiu a terra entre as tribos, mas cada uma ainda precisava tomar posse da área que lhe cabia (Josué 13–21). O livro de Juízes mostra que vários povos permaneceram na região. Mais tarde, os israelitas passaram a conviver com práticas religiosas desses povos e, muitas vezes, a adotar a adoração de seus deuses (Juízes 1–2).
Há também uma pergunta difícil nessa história: por que Deus ordenou uma conquista que envolveu a morte de pessoas? A Bíblia apresenta a conquista como um julgamento contra a maldade praticada em Canaã, e não como uma autorização geral para atacar outros povos (Gênesis 15:16; Deuteronômio 9:4-6). Ela também não diz que Israel era moralmente superior: Deus advertiu os israelitas de que eles próprios seriam julgados se seguissem o mesmo caminho. A história de Raabe mostra, além disso, que uma pessoa de Canaã podia ser acolhida quando buscava o Deus de Israel. Esses pontos ajudam a entender como a Bíblia apresenta a conquista, embora não tornem a violência narrada algo leve ou fácil de ler.
Em resumo, Israel entrou em Canaã sob a liderança de Josué e venceu seus principais reis e cidades. A terra foi distribuída entre as tribos, mas a ocupação ficou incompleta. O relato apresenta tanto o cumprimento da promessa feita a Abraão quanto uma advertência: receber a terra não significava que Israel podia desobedecer a Deus sem consequências.