Deus já se dava a conhecer antes de suas palavras serem registradas por escrito. A Bíblia conta que ele falou com pessoas, fez promessas, deu orientações e enviou mensageiros. Além disso, a criação sempre ofereceu sinais de que existe um Criador.
Vale lembrar que a Bíblia não surgiu pronta, de uma vez. Muito antes de os livros bíblicos serem escritos, Gênesis apresenta Deus falando com Noé e com Abraão, por exemplo (Gênesis 6:13-22; 12:1-3). Mais tarde, Deus deu sua lei ao povo de Israel por meio de Moisés, e suas palavras começaram a ser registradas (Êxodo 24:3-4). Depois, falou por meio dos profetas. Em outras ocasiões, a Bíblia relata que Deus se comunicou por sonhos, como aconteceu com Abimeleque (Gênesis 20:3-7). Assim, não ter uma Bíblia em mãos não significava que aquelas pessoas nunca tivessem ouvido nada de Deus.
E o que acontecia com quem não recebia uma mensagem direta? A Bíblia ensina que a criação mostra algo sobre Deus. Ao observar o mundo, as pessoas podem reconhecer sinais do seu poder (Salmo 19:1-4; Romanos 1:20). Paulo também diz que a consciência humana pode acusar ou defender uma pessoa diante do que ela faz, mesmo quando ela não conhece a lei dada a Israel (Romanos 2:14-15).
Mas há um limite importante: olhar pra natureza não ensina, por si só, quem é Jesus nem explica como Deus nos salva. Pra conhecer essas coisas, precisamos daquilo que Deus revelou de maneira mais específica. Para os cristãos, a revelação mais clara de Deus veio em Jesus Cristo. Ele mostrou como o Pai é e, por sua morte e ressurreição, tornou conhecido o caminho da salvação (João 1:14, 18; Hebreus 1:1-3; 1 Coríntios 15:3-4).
Portanto, as pessoas antes da Bíblia podiam conhecer Deus na medida em que ele se dava a conhecer: por meio da criação, da consciência e das mensagens que ele comunicou ao longo da história. Hoje temos uma vantagem: podemos ler nas Escrituras o testemunho sobre o que Deus fez e ensinou, especialmente por meio de Jesus (João 20:30-31).