Em Atos 9:31, Lucas conta que a igreja vivia um período de paz, crescia em número e se fortalecia. Ele diz também que os cristãos viviam no temor do Senhor e no consolo do Espírito Santo. Isso não quer dizer que tinham deixado de enfrentar dificuldades. Pouco antes, alguns discípulos precisaram ajudar Saulo a fugir de pessoas que queriam matá-lo (Atos 9:23-30). A igreja conhecia o perigo, mas também conhecia a ajuda de Deus.
Viver no consolo do Espírito Santo é seguir a Cristo contando com a ajuda que Deus dá ao seu povo. Esse consolo inclui alívio na aflição, mas não se limita a nos fazer sentir melhor. O Espírito também nos encoraja a continuar, nos fortalece quando estamos fracos e nos ajuda a obedecer a Deus.
Foi o próprio Jesus quem prometeu aos discípulos que não os deixaria sem ajuda. Ele disse que o Pai lhes daria o Espírito Santo, que estaria com eles e lhes ensinaria o que precisavam saber (João 14:16-17, 26). Em Atos, vemos essa promessa na vida da igreja: mesmo diante da oposição, os cristãos continuavam anunciando Jesus e crescendo na fé.
Então, como vivemos nesse consolo hoje? Primeiro, lembrando que não dependemos apenas da nossa força. Há momentos em que nem sabemos direito como orar; Romanos 8:26 diz que o Espírito nos ajuda justamente nessa fraqueza. Podemos falar com Deus com sinceridade, sem esperar ter as palavras perfeitas. O Espírito também nos ajuda a compreender o que Cristo ensinou e a viver de acordo com isso (João 14:26; Gálatas 5:16, 22-23).
Atos 9:31 fala da igreja, não apenas de uma pessoa. Aqueles cristãos se fortaleciam juntos. Por isso, viver no consolo do Espírito não significa se isolar e esperar uma sensação especial. Significa continuar perto de Deus e dos irmãos na fé, ouvindo sua Palavra, orando e recebendo encorajamento mesmo nos dias difíceis.
O “temor do Senhor” e o “consolo do Espírito” aparecem lado a lado por uma razão. Temer ao Senhor é levá-lo a sério, com respeito e disposição de obedecer. O consolo do Espírito não nos afasta disso; ele nos ajuda a continuar vivendo assim. Podemos, portanto, levar Deus a sério sem viver como se estivéssemos sozinhos.