A Bíblia não manda os cristãos passar por uma cerimônia chamada confirmação. Essa prática surgiu na vida de algumas igrejas. Em geral, ela marca um momento em que a pessoa afirma por si mesma a fé cristã e assume suas responsabilidades na comunidade. Na Igreja Católica, a confirmação — chamada também de crisma — é considerada um sacramento. Outras igrejas também a praticam, embora nem todas entendam seu significado da mesma maneira.
Há algo bom na intenção de ajudar alguém a compreender e assumir pessoalmente a fé. Mas é importante distinguir isso de uma afirmação que a Bíblia não faz: uma cerimônia, por si só, não torna ninguém cristão nem garante sua salvação.
Algumas passagens falam de pessoas que receberam a imposição de mãos e do Espírito Santo, como em Atos 8:14-17 e 19:1-6. São textos importantes pra entender como a igreja começou e como Deus agiu naquelas ocasiões. Mas eles não apresentam uma cerimônia chamada confirmação nem ordenam que todo cristão passe por ela ao atingir certa idade. Por isso, cristãos de diferentes tradições entendem de maneiras diferentes a relação entre essas passagens e a prática atual da confirmação.
Então, como alguém pode saber se pertence a Cristo? O Novo Testamento aponta, antes de tudo, pra Jesus. É nele que colocamos nossa fé, não numa cerimônia. Paulo diz que, depois de crerem em Cristo, os cristãos foram selados com o Espírito Santo (Efésios 1:13-14). Ele também diz que o Espírito dá testemunho de que somos filhos de Deus (Romanos 8:16).
Essa confiança não significa ignorar a maneira como vivemos. A Bíblia nos chama a examinar nossa fé (2 Coríntios 13:5). João fala sobre reconhecer nossos pecados e andar na luz (1 João 1:5-10). Tiago ensina que uma fé verdadeira se manifesta em atitudes, e Paulo descreve o fruto que o Espírito produz na vida de uma pessoa (Tiago 2:14-18; Gálatas 5:22-23). Essas atitudes não compram a salvação; elas mostram que a fé não ficou apenas nas palavras.
Portanto, uma igreja pode usar a confirmação pra ensinar, orar e dar a alguém a oportunidade de declarar publicamente sua fé. O que ela não pode fazer é substituir a confiança em Cristo por esse ato. Uma pessoa pode participar da cerimônia sem crer nele de verdade; outra pode pertencer a Cristo sem jamais ter participado dela. O essencial, segundo o Novo Testamento, é crer em Jesus e seguir vivendo nessa fé, com a ajuda do Espírito Santo.