Confessionalismo e conversionismo são duas maneiras de dar ênfase a aspectos importantes da vida cristã. O confessionalismo destaca o que a igreja crê e ensina. O conversionismo destaca a necessidade de cada pessoa se arrepender e crer em Jesus. Não é preciso escolher entre uma coisa e outra.
Uma *confissão de fé* é um documento em que uma igreja explica suas crenças. Ela pode tratar, por exemplo, de quem é Jesus, do que ele fez por nós e de como a igreja deve viver. Uma igreja confessional dá importância especial a esse documento: espera que seus líderes concordem com ele e, dependendo da igreja, pode pedir essa concordância também aos membros.
Isso ajuda a igreja a ensinar com clareza e a ser honesta com quem deseja fazer parte dela. Mas há uma distinção importante: concordar com uma confissão não salva ninguém. Além disso, discordar de um ponto exigido por certa denominação pode impedir alguém de pertencer àquele grupo sem significar, por si só, que essa pessoa não seja cristã.
Já o conversionismo dá destaque à *conversão*. A pessoa não se torna cristã apenas por ter nascido numa família cristã, frequentar cultos ou conhecer as respostas certas sobre a Bíblia. Ela precisa se voltar pra Deus e confiar em Jesus. Em Atos 2:37-42, depois de ouvirem a mensagem sobre Jesus, as pessoas são chamadas ao arrependimento; as que a recebem passam a fazer parte da comunidade e a aprender o ensino dos apóstolos.
Isso não quer dizer que, pra uma igreja conversionista, as crenças não importem. A conversão cristã tem um conteúdo: é em Jesus que a pessoa crê. Paulo, por exemplo, lembra aos cristãos a mensagem sobre a morte e a ressurreição de Cristo em 1 Coríntios 15:1-4. Também não basta alguém afirmar que teve uma experiência com Deus pra que tudo o que acredita sobre ele esteja certo.
Por isso, a diferença está principalmente na ênfase, não numa oposição absoluta. Uma igreja pode levar muito a sério sua confissão de fé e, ao mesmo tempo, ensinar que ninguém se torna cristão sem arrependimento e fé. Também pode dar grande importância à conversão e ter crenças claras que seus líderes precisam ensinar.
A Bíblia nos dá razão pra cuidar das duas coisas. Ela chama as pessoas a crer em Jesus e também orienta a igreja a guardar e transmitir fielmente o ensino recebido (Romanos 10:9-10; 2 Timóteo 1:13-14). Em palavras simples: uma declaração de fé não substitui a conversão, e uma experiência pessoal não torna desnecessário conhecer a verdade sobre Jesus.