Uma concubina era uma mulher que vivia com um homem numa relação estável, semelhante ao casamento, mas sem ter a mesma posição de uma esposa. Ela podia ter filhos com ele, e esses filhos eram reconhecidos como seus. A situação das concubinas variava: algumas eram escravizadas, como Agar, serva de Sara; por isso, não dá pra dizer que todas viviam nas mesmas condições (Gênesis 16:1–4).
A Bíblia contar que homens tiveram concubinas não significa que Deus aprovava essa prática. Esse é o ponto mais importante pra entender a pergunta. A Bíblia relata muitas coisas que aconteceram sem dizer que elas servem de exemplo pra nós.
No começo de Gênesis, o casamento é apresentado como a união de um homem e uma mulher, que formam uma só família (Gênesis 2:24). Já a história de Abraão, Sara e Agar mostra como ter uma concubina podia causar sofrimento. Sara, que não conseguia ter filhos, entregou Agar a Abraão para que ela tivesse um filho por meio dela. Depois que Agar engravidou, a relação entre as duas se tornou muito difícil, e Agar foi maltratada (Gênesis 16:1–6). Mais tarde, ela e seu filho, Ismael, foram mandados embora (Gênesis 21:8–14). Deus cuidou deles, mas isso não torna justas todas as decisões que os levaram àquela situação.
Então, por que Deus permitiu que isso acontecesse? A Bíblia não dá uma explicação direta para o concubinato. Ela mostra que Deus lidou com pessoas e sociedades nas quais essa prática já existia. Em vez de tratar tudo o que acontecia entre elas como certo, a lei de Israel estabeleceu algumas proteções para mulheres em situações de dependência. Por exemplo, Êxodo 21:7–11 exigia que uma mulher destinada a viver com um homem como esposa não fosse privada de sustento e de certos direitos. Proteger uma pessoa numa situação difícil, porém, não é o mesmo que declarar ideal a situação em si.
Jesus fez uma distinção parecida ao falar sobre o divórcio: ele disse que Moisés o havia permitido por causa da dureza do coração das pessoas, mas que esse não era o propósito de Deus desde o princípio (Mateus 19:4–8). Jesus estava falando especificamente do divórcio, não das concubinas. Ainda assim, suas palavras ajudam a entender por que nem tudo o que foi permitido numa sociedade antiga representava o ideal de Deus.
Também não dá pra afirmar que Deus permitiu concubinas *para* garantir sustento a mulheres vulneráveis. Algumas certamente estavam em posição vulnerável, mas a Bíblia não apresenta essa como a razão divina para a prática. Fazer essa afirmação como certeza iria além do que o texto diz.
O caminho mais seguro é ler essas histórias sem confundir o que aconteceu com o que Deus deseja. Homens da Bíblia tiveram concubinas e várias esposas; isso não os torna exemplos nessa área. O ensino de Jesus sobre o casamento aponta de volta para a união apresentada em Gênesis: uma relação de compromisso entre um homem e uma mulher (Mateus 19:4–6).