Em 381, líderes da igreja se reuniram em Constantinopla, cidade que hoje se chama Istambul, pra tratar de uma pergunta que ainda causava divisões: Jesus é plenamente Deus? E o que a igreja deve dizer sobre o Espírito Santo? Essa reunião ficou conhecida como o Primeiro Concílio de Constantinopla. Foi o segundo grande concílio da igreja, depois do Concílio de Niceia, realizado em 325.
Niceia já tinha rejeitado o ensino de que o Filho de Deus havia sido criado e, portanto, não era plenamente divino. Mas a decisão não encerrou a discussão. Décadas depois, ainda havia líderes que defendiam ideias semelhantes. Também havia quem negasse que o Espírito Santo fosse plenamente divino. O imperador Teodósio convocou o concílio num momento em que essas disputas, junto com conflitos pela liderança da igreja em Constantinopla, continuavam fortes.
Os bispos reafirmaram a decisão de Niceia sobre Jesus e deixaram mais clara a confissão da igreja a respeito do Espírito Santo. É daí que vem a forma do credo geralmente chamada de Niceno-Constantinopolitano: uma declaração de fé associada aos dois concílios. Ela afirma a plena divindade do Filho e apresenta o Espírito Santo como aquele que dá vida e é adorado com o Pai e o Filho. Os bispos não estavam dizendo que havia três deuses. Procuravam expressar que há um só Deus e que Pai, Filho e Espírito Santo não devem ser confundidos nem tratados como criaturas.
Essa conclusão não se apoia apenas na autoridade de uma reunião. Os cristãos que a defendem procuram explicar o conjunto do que a Bíblia ensina. João 1:1-3 apresenta o Filho como aquele que já existia no princípio e por meio de quem todas as coisas foram feitas. Em Atos 5:3-4, Pedro relaciona mentir ao Espírito Santo a mentir a Deus. E, em Mateus 28:19, Jesus menciona Pai, Filho e Espírito Santo juntos ao ordenar o batismo. O concílio buscou uma maneira de afirmar esses ensinamentos sem negar que Deus é um só.
A reunião também tratou de questões de liderança. Uma de suas decisões deu ao bispo de Constantinopla um lugar de honra depois do bispo de Roma, por causa da importância da cidade no Império Romano. Essa decisão contribuiu pra tensões posteriores entre igrejas do Oriente e do Ocidente, embora a separação entre elas só tenha acontecido séculos depois.
Em resumo, o concílio de 381 reafirmou que Jesus é plenamente Deus e esclareceu o ensino da igreja sobre o Espírito Santo. Não foi ali que a divindade de Jesus surgiu como ideia; o que os bispos fizeram foi defender e formular com mais cuidado aquilo que entendiam estar nas Escrituras.