O Concílio de Constança foi uma grande reunião de líderes da Igreja ocidental, realizada entre 1414 e 1418, na cidade de Constança, hoje na Alemanha. Ele ficou conhecido por dois resultados bem diferentes: encerrou uma disputa em que três homens reivindicavam o papado e condenou ensinamentos de reformadores como John Wycliffe e Jan Hus. Hus acabou sendo executado.
A disputa pelo papado vinha de décadas antes. Em 1378, foram eleitos dois papas rivais, cada um com seus apoiadores. Com o passar dos anos, outros homens assumiram o lugar deles. Uma tentativa de resolver o conflito, no Concílio de Pisa, em 1409, piorou a situação: foi eleito mais um papa, mas os outros dois não abriram mão de suas reivindicações. Quando o Concílio de Constança começou, havia, portanto, três homens dizendo ser o papa legítimo.
O concílio conseguiu pôr fim a essa disputa. Um dos três foi deposto, outro renunciou e o terceiro se recusou a renunciar, mas foi deposto pelo concílio. Em 1417, Martinho V foi eleito papa. Durante o processo, o concílio também afirmou que, naquela situação, sua autoridade se estendia até mesmo a quem reivindicava o papado. Essa afirmação sobre a autoridade dos concílios em relação aos papas continuou sendo discutida depois.
O outro lado da história envolve John Wycliffe e Jan Hus. Wycliffe era um estudioso inglês que havia criticado práticas e ensinos da Igreja. Ele já tinha morrido quando o concílio se reuniu, mas suas ideias ainda circulavam. O concílio condenou várias delas; anos depois, seus restos mortais foram retirados do túmulo e queimados.
Jan Hus era um pregador da Boêmia, região que hoje faz parte da República Tcheca. Influenciado em parte por Wycliffe, ele criticava os abusos do clero e questionava a autoridade de líderes da Igreja quando suas ações contrariavam os ensinamentos de Cristo. Hus foi a Constança com uma promessa de salvo-conduto, mas acabou preso. Depois de ser julgado, recusou-se a renunciar às posições que entendia não terem sido refutadas. Foi condenado por heresia e queimado na fogueira em 6 de julho de 1415.
Esses acontecimentos mostram por que o concílio é lembrado de maneiras tão diferentes. Ele resolveu uma crise grave de liderança, mas também usou seu poder pra condenar e executar Hus. Isso não significa que todas as ideias de Wycliffe ou de Hus estivessem certas. Significa que precisamos examinar cada ensino com cuidado, em vez de decidir se ele é verdadeiro apenas porque uma autoridade religiosa o aprovou ou condenou.
A Bíblia orienta os cristãos a conferir os ensinamentos à luz das Escrituras, como fizeram os bereanos ao ouvir a pregação de Paulo (Atos 17:11). E, quando o assunto é a salvação, ela ensina que somos salvos pela graça de Deus, mediante a fé, não pela compra de um benefício religioso nem por mérito próprio (Efésios 2:8-9). Essa é uma forma importante de avaliar as questões que estavam por trás dos debates daquela época.
Em resumo, Constança encerrou a disputa entre os três pretendentes ao papado, mas não encerrou os questionamentos sobre os ensinos e as práticas da Igreja. As críticas associadas a Wycliffe e Hus continuaram sendo discutidas e ajudaram a preparar o contexto em que, cerca de um século depois, ocorreu a Reforma Protestante.