Quando Paulo deseja aos cristãos de Corinto “a comunhão do Espírito Santo” (2 Coríntios 13:14), ele está falando de uma vida compartilhada que o Espírito torna possível. O Espírito nos une a Deus e uns aos outros. Por isso, ter essa comunhão não é apenas sentir algo especial durante um culto. É viver, junto com outros cristãos, uma relação que Deus nos deu por meio do seu Espírito.
Na mesma bênção, Paulo menciona a graça de Jesus Cristo e o amor de Deus. Ele não está dizendo que cada pessoa divina faz algo separado das outras. Está lembrando à igreja que sua vida depende de Deus: de seu amor, da graça de Cristo e da ação do Espírito Santo.
A palavra “comunhão” traz a ideia de *ter parte em algo junto com outras pessoas*. Quem pertence a Cristo recebeu o Espírito (Romanos 8:9). E, por meio de Cristo, todos os que creem têm acesso ao Pai pelo mesmo Espírito (Efésios 2:18). Assim, cristãos de histórias e condições diferentes podem chamar Deus de Pai e reconhecer uns aos outros como parte da mesma família.
Isso ajuda a entender por que Paulo fala dessa comunhão ao terminar a carta. Havia problemas de relacionamento na igreja de Corinto. Pouco antes da bênção, ele pede aos irmãos que vivam em paz (2 Coríntios 13:11). A comunhão do Espírito não significa fingir que os conflitos não existem. Significa lembrar que o mesmo Espírito habita nos que pertencem a Cristo e, por isso, buscar reconciliação, tratar uns aos outros com humildade e cuidar uns dos outros. Paulo faz uma ligação parecida em Filipenses 2:1-4: ele menciona a comunhão do Espírito e, em seguida, chama os cristãos à união e à consideração pelos outros.
Portanto, ter a comunhão do Espírito Santo é participar da vida que ele nos dá em Cristo e viver essa vida juntos. Ela é um presente de Deus, não algo que conseguimos produzir só com boa vontade. Mas também aparece nas nossas atitudes: quando perdoamos, servimos e procuramos preservar a unidade que o Espírito criou (Efésios 4:2-3).