Jesus mandou que seus seguidores fizessem discípulos, os batizassem em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo e os ensinassem a obedecer a tudo o que ele ordenou (Mateus 28:18-20). Portanto, o batismo não é um detalhe sem importância. É uma maneira de alguém se identificar com Jesus e com a comunidade dos seus seguidores.
Ao mesmo tempo, a Bíblia não dá instruções pra cada detalhe da cerimônia. Por isso, cristãos que levam as Escrituras a sério chegam a conclusões diferentes sobre quem deve ser batizado e como usar a água. Vale distinguir o que o Novo Testamento mostra claramente daquilo que precisamos concluir a partir dos exemplos.
Nos relatos mais diretos, as pessoas ouvem a mensagem sobre Jesus, creem e são batizadas. Foi assim com os que aceitaram a pregação de Pedro no Pentecostes (Atos 2:37-41) e com o homem da Etiópia a quem Filipe explicou a mensagem de Jesus (Atos 8:35-38). Por isso, muitas igrejas entendem que o batismo deve vir depois de uma decisão pessoal de crer em Cristo.
Outras igrejas cristãs também batizam os filhos pequenos de famílias cristãs. Elas entendem que o batismo pode marcar a inclusão da criança na comunidade da aliança de Deus, de modo semelhante ao papel que a circuncisão tinha no povo de Israel. Isso não significa, para muitos desses cristãos, que a criança já tenha fé pessoal ou que não precise crer em Jesus mais tarde. A dificuldade é que o Novo Testamento não dá uma ordem explícita pra batizar bebês, nem relata claramente o batismo de um. Há relatos do batismo de famílias inteiras, mas eles não dizem se havia bebês nessas casas. Assim, o batismo infantil depende de uma interpretação da relação entre a antiga e a nova aliança, enquanto o batismo de pessoas que acabaram de crer aparece diretamente nos relatos bíblicos.
Quanto à água, a imersão parece ser a forma mais natural de entender os exemplos do Novo Testamento. Filipe e o homem da Etiópia, por exemplo, desceram à água para o batismo (Atos 8:38-39). A imagem também combina com a explicação de Paulo: o batismo representa nossa união com Cristo em sua morte e ressurreição (Romanos 6:3-4). Mas esses textos não descrevem todos os movimentos da cerimônia nem dizem expressamente que qualquer outra forma de aplicar água seja inválida. Por isso, algumas igrejas batizam por derramamento ou aspersão. A Bíblia também não exige que a pessoa seja mergulhada uma ou três vezes, nem determina se ela deve ir pra água de frente ou de costas.
Jesus ordenou o batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (Mateus 28:19). Em Atos, dizer que alguém foi batizado “em nome de Jesus” destaca a quem essa pessoa passou a pertencer (Atos 2:38; 10:48). Esses relatos não precisam ser lidos como uma proibição das palavras que Jesus ensinou.
Por fim, o batismo deve ser levado a sério, mas a água não substitui a fé em Cristo. O Novo Testamento chama as pessoas ao arrependimento e à fé, e apresenta a salvação como um presente da graça de Deus, não como resultado de uma cerimônia ou de obras humanas (Efésios 2:8-9). Pedro também esclarece que o batismo não é uma simples lavagem do corpo: seu significado está ligado à resposta da pessoa a Deus e à ressurreição de Jesus (1 Pedro 3:21). Isso não torna o batismo opcional por falta de importância; quem crê em Jesus tem motivo pra obedecer à sua ordem de ser batizado.
Em resumo, a prática mais diretamente retratada no Novo Testamento é batizar quem ouviu o evangelho e creu, usando água — provavelmente por imersão — em obediência à ordem de Jesus. Onde a Bíblia não define cada detalhe, convém ter cuidado antes de afirmar que somente uma forma de realizar a cerimônia é aceita por Deus.