A resposta começa com um detalhe importante: nem todas as religiões acreditam em um céu como o lugar onde as pessoas vão viver com Deus depois da morte. Algumas falam de ressurreição e julgamento. Outras falam de reencarnação, de libertação desse ciclo ou simplesmente não dão uma resposta definida sobre o que acontece depois que morremos. Por isso, perguntar “como chegar ao céu?” é também perguntar o que cada religião espera para o ser humano no fim da vida.
No cristianismo, a esperança não é apenas que a alma vá para o céu. É viver para sempre com Deus, por meio de Jesus Cristo, e participar da ressurreição que ele prometeu (João 11:25-26; 1 Coríntios 15:20-23; Apocalipse 21:1-4). Segundo o Novo Testamento, ninguém consegue apagar seus pecados acumulando boas ações. A salvação é um presente da graça de Deus, recebido pela fé em Cristo, que morreu e ressuscitou (Efésios 2:8-10; 1 Coríntios 15:3-4). As boas obras importam, mas vêm como resultado dessa nova vida; não são o preço pago por ela.
Mesmo entre as igrejas cristãs há diferenças sobre como explicar a relação entre fé, sacramentos e vida de obediência. Católicos ensinam que a salvação vem da graça de Deus por meio de Cristo e dão importância ao batismo, à vida na Igreja e à transformação do cristão. Também ensinam que algumas pessoas salvas passam por uma purificação após a morte, chamada purgatório. Ortodoxos também destacam a graça de Deus, os sacramentos e o crescimento da pessoa na semelhança de Cristo. Protestantes evangélicos enfatizam que a pessoa é justificada pela fé em Cristo, não por obras que mereçam a salvação. Não seria justo dizer que católicos e ortodoxos ensinam simplesmente que alguém “compra” o céu fazendo boas ações; a divergência está em como cada tradição entende a atuação da graça e a resposta humana a ela.
O judaísmo também fala de Deus, arrependimento e vida fiel, mas não tem uma única explicação, aceita por todos os judeus, sobre a vida após a morte. Há tradições que esperam a ressurreição dos mortos e o mundo vindouro; outras dão menos atenção a esse assunto. O islamismo ensina que Deus julgará as pessoas e fala de paraíso e inferno. A fé, o arrependimento e as ações têm importância nesse julgamento, mas os muçulmanos também destacam a misericórdia de Deus. Resumir sua esperança a “ter mais boas ações do que más” deixaria de fora uma parte importante do que creem.
Em religiões que ensinam a reencarnação, a pergunta costuma ser diferente: não se trata de chegar ao céu depois de uma única vida, mas de ser liberto do ciclo de nascer e morrer. No hinduísmo, essa libertação é chamada *moksha*. As explicações variam bastante: podem dar destaque à devoção a Deus, ao conhecimento espiritual ou à maneira de viver. Algumas correntes falam de união com Deus; outras mantêm uma distinção entre Deus e a pessoa. No jainismo, a alma alcança a libertação ao se livrar do carma, por meio da fé, do conhecimento e da conduta corretos, sem depender de um Deus criador.
O budismo também fala em libertação, chamada *nirvana*, alcançada pelo caminho ensinado por Buda. Mas nirvana não significa unir a alma a Deus: o budismo não ensina, em geral, a existência de um Deus criador com quem a pessoa deva se unir. O siquismo ensina a devoção ao Deus único e uma vida honesta, com a esperança de libertação do ciclo de reencarnações.
Outras tradições não cabem facilmente em nenhum desses grupos. O zoroastrismo fala de julgamento após a morte e de uma restauração final. Na fé bahá’í, a alma continua sua jornada depois da morte, e céu e inferno são entendidos em relação à proximidade ou ao afastamento de Deus. O confucionismo se concentra principalmente em como viver bem agora. Já o taoísmo, as religiões populares chinesas e o xintoísmo reúnem tradições variadas sobre a morte e os ancestrais; não há uma resposta única que represente todos os seus seguidores.
Também existem movimentos com ensinamentos próprios. As Testemunhas de Jeová esperam que um grupo de 144 mil governe com Cristo no céu, enquanto a maior parte dos fiéis espera viver para sempre numa terra restaurada. Os santos dos últimos dias, conhecidos como mórmons, ensinam diferentes destinos após a morte e dão importância à fé em Cristo, às ordenanças religiosas e à fidelidade. A Cientologia fala de libertação espiritual por meio de seus ensinamentos e práticas. No unitarismo-universalismo e na Wicca, as crenças sobre a vida após a morte variam bastante. E muitos ateus não creem em vida após a morte, embora o ateísmo, por si só, signifique apenas não crer em deuses.
Essas diferenças mostram por que não dá pra dizer que todas as religiões ensinam o mesmo caminho com nomes diferentes. Algumas esperam o paraíso; outras, a libertação da reencarnação; outras não afirmam saber o que vem depois. A resposta cristã tem seu centro em Jesus: a reconciliação com Deus não é uma conquista que a pessoa produz sozinha, mas algo que Deus oferece por meio da morte e da ressurreição de Cristo (Romanos 5:8-11).