Significa que Deus promete dar ao seu povo a sua palavra, pra que ele a conheça, creia nela e a transmita às próximas gerações. Não quer dizer que toda frase dita por uma pessoa que crê em Deus venha diretamente dele.
O contexto ajuda a entender por que essa promessa era tão importante. Em Isaías 59, o povo de Israel sofria por causa dos próprios pecados. Havia injustiça, violência e mentira. O problema não era que Deus tivesse perdido o poder de salvar, mas que os pecados do povo tinham prejudicado sua relação com ele (Isaías 59:1-8). E ninguém entre eles conseguia resolver essa situação por conta própria. Por isso, o capítulo anuncia que o próprio Deus agiria pra trazer justiça e redenção (Isaías 59:16-20).
É nesse momento que vem a promessa do versículo 21. Deus fala de uma aliança em que seu Espírito estaria com aqueles a quem ele se dirige, e suas palavras permaneceriam na boca deles e de seus descendentes. “Na boca” aponta pra palavras que são conhecidas e faladas. A promessa é que aquilo que Deus ensina não seria esquecido: continuaria sendo anunciado de geração em geração.
O Espírito também faz parte da promessa. Deus não está apenas mandando o povo repetir uma mensagem; ele promete agir na vida deles. Isso se relaciona com a promessa de Jeremias 31:31-34, em que Deus diz que seu povo o conheceria e teria sua lei escrita no coração. Uma passagem fala das palavras de Deus na boca; a outra, de sua lei no coração. Juntas, elas mostram que Deus quer um povo que conheça sua vontade por dentro e fale dela com fidelidade.
Assim, Isaías 59:21 é, acima de tudo, uma promessa de Deus ao seu povo, não uma garantia de que qualquer cristão saberá exatamente o que dizer em toda situação. O capítulo termina com esperança: embora o povo não pudesse se salvar, Deus promete agir, dar seu Espírito e fazer com que sua palavra permaneça entre aqueles que lhe pertencem.