O coelhinho e os ovos de Páscoa não vêm da Bíblia. Eles passaram a fazer parte dos costumes da festa muito tempo depois de Jesus. A origem exata de cada tradição não é conhecida, mas dá pra entender como elas se espalharam — e, principalmente, separar esses costumes do motivo pelo qual os cristãos celebram a Páscoa.
A tradição da lebre que traz ovos aparece em registros da Alemanha. Com o tempo, famílias alemãs levaram o costume pra outros lugares, inclusive os Estados Unidos, onde a figura ficou conhecida como o “coelhinho da Páscoa”. Já os ovos eram associados à primavera e à vida nova em diferentes lugares. Entre cristãos, também havia o costume de guardar ovos durante o período de jejum antes da Páscoa e consumi-los depois. Esses fatos ajudam a explicar a presença dos ovos na festa, mas não permitem afirmar que toda a tradição começou de uma única maneira.
Às vezes se diz que o coelhinho e os ovos vieram diretamente do culto a uma deusa chamada Eostre. Essa afirmação vai além do que as evidências permitem. Um antigo escritor mencionou Eostre ao explicar o nome inglês da festa, *Easter*, mas isso não prova que o costume do coelhinho ou dos ovos tenha vindo de um culto a ela. E a palavra portuguesa Páscoa tem outra origem: vem da palavra ligada à Páscoa judaica.
Na Bíblia, a Páscoa judaica recordava a libertação de Israel do Egito (Êxodo 12). Para os cristãos, a celebração está ligada à morte e à ressurreição de Jesus. Paulo anuncia que Cristo morreu pelos nossos pecados e ressuscitou ao terceiro dia (1 Coríntios 15:3-4). É esse acontecimento — não os ovos nem o coelho — que dá sentido à Páscoa cristã.
Então, uma família cristã pode fazer uma caça aos ovos? Pode tratar isso como uma brincadeira, sem atribuir a ela um significado bíblico que não tem. Outras famílias podem preferir não participar, e essa decisão também merece respeito. O importante é que as crianças consigam distinguir as duas coisas: o coelhinho é um costume; a ressurreição de Jesus é a razão da celebração cristã.