Não. A Bíblia não exige a circuncisão dos cristãos, nem a apresenta como um meio de receber a salvação. Um homem pode ser circuncidado, mas não precisa passar por isso para pertencer a Cristo.
A circuncisão é a retirada do prepúcio. No Antigo Testamento, Deus a estabeleceu como sinal da aliança que fez com Abraão e seus descendentes do sexo masculino (Gênesis 17:9-14). Mais tarde, a Lei dada a Israel também determinou que os meninos fossem circuncidados (Levítico 12:3). Pra aquele povo, portanto, não era apenas um costume: tinha um significado religioso.
A questão surgiu entre os primeiros cristãos porque muitos judeus passaram a crer em Jesus, e pessoas de outros povos também começaram a crer nele. Alguns queriam que esses novos cristãos fossem circuncidados e obedecessem à Lei de Moisés para serem salvos. Os apóstolos e líderes da igreja trataram dessa dúvida em Atos 15 e decidiram não exigir a circuncisão deles. A salvação vem pela graça de Deus, por meio da fé em Jesus, e não por uma cirurgia ou pelo cumprimento da Lei.
Isso não significa que o sinal dado a Abraão não tivesse importância. Significa que a circuncisão física nunca poderia, por si só, mudar o coração de alguém. O próprio Antigo Testamento já chamava o povo a abandonar a teimosia e voltar-se sinceramente pra Deus (Deuteronômio 10:16). Paulo retoma essa ideia ao falar de uma mudança interior feita pelo Espírito, e não apenas de uma marca no corpo (Romanos 2:28-29).
Um episódio ajuda a entender a diferença. Paulo mandou circuncidar Timóteo, seu companheiro de viagem, porque Timóteo tinha mãe judia e eles trabalhariam entre judeus que conheciam sua família (Atos 16:1-3). Paulo não fez isso para que Timóteo fosse salvo. Em outra situação, ele se recusou a aceitar que Tito, que não era judeu, fosse obrigado a passar pela circuncisão (Gálatas 2:3-5). O problema não era a cirurgia em si, mas dizer que ela era necessária para alguém ser aceito por Deus.
Assim, uma família cristã pode considerar a circuncisão por motivos de saúde, cultura ou preferência pessoal. Essa é uma decisão prática, que pode ser conversada com um profissional de saúde. Do ponto de vista da fé cristã, porém, ninguém se torna mais aceito por Deus por ser circuncidado, nem menos aceito por não ser. O que importa é a fé em Cristo e a vida transformada que nasce dessa fé (Gálatas 5:6; 6:15).