As Cinco Vias são cinco argumentos que Tomás de Aquino apresentou para defender, por meio da razão, que Deus existe. Ele viveu no século XIII e partiu de coisas que qualquer pessoa pode observar no mundo, como a mudança, as causas e a ordem da natureza.
Aquino não pretendia contar toda a história da fé cristã nesses argumentos. As Cinco Vias não demonstram, por si só, quem é Jesus ou o que significa ser salvo. Elas procuram responder a uma pergunta anterior: existe um fundamento último para tudo o que vemos?
1. A via da mudança. As coisas mudam: uma semente cresce, a água esquenta, uma pessoa aprende. Aquino chamava isso de “movimento”, mas não estava falando só de sair de um lugar e ir pra outro. Para ele, movimento era qualquer passagem de uma possibilidade pra uma realidade. A água pode ficar quente, mas precisa receber calor para isso acontecer. Aquino argumentava que as mudanças dependem, em última análise, de algo que não precise ser mudado por outra coisa: o primeiro motor.
2. A via das causas. Muitas coisas só acontecem porque outras as causam. Aquino pergunta se todas as causas poderiam depender de causas anteriores, sem que houvesse um fundamento para essa dependência. Sua resposta é não: deve existir uma primeira causa que não dependa de outra para agir. “Primeira”, aqui, não significa necessariamente a primeira coisa numa longa sequência de acontecimentos no passado. O ponto principal é que as causas que atuam agora precisam, segundo ele, de um fundamento último.
3. A via da contingência. Uma coisa é *contingente* quando não precisa existir: ela existe, mas poderia não existir. Pessoas, árvores e estrelas, por exemplo, dependem de condições que não controlam. Aquino argumenta que, se tudo dependesse de outra coisa para existir, seria preciso perguntar o que sustenta, em última análise, a existência de tudo isso. Ele conclui que deve haver um ser *necessário*: alguém que não receba de outro a própria existência.
4. A via dos graus de perfeição. Reconhecemos graus de qualidades como bondade, verdade e excelência: algo pode ser mais ou menos bom, por exemplo. Aquino argumentava que esses graus apontam, em última análise, para uma fonte máxima dessas qualidades. Essa via exige mais explicação e é bastante debatida. Afinal, perceber que uma pessoa é mais bondosa que outra não prova, por si só, que exista um ser perfeitamente bom. O argumento depende de outras ideias filosóficas de Aquino sobre de onde vêm essas qualidades.
5. A via da finalidade. Mesmo sem pensar, os elementos da natureza agem de maneiras regulares e produzem certos resultados. Uma semente, nas condições adequadas, se desenvolve como planta da sua espécie. Aquino entendia que essa orientação para determinados fins aponta, em última análise, para uma inteligência que governa a natureza. O argumento não é simplesmente que “algo complexo precisa ter sido projetado”; ele trata da regularidade com que coisas sem inteligência agem em direção a resultados.
Essas são argumentações filosóficas, não cinco passagens bíblicas. Elas podem ajudar numa conversa sobre Deus, e a Bíblia também ensina que a criação revela algo sobre seu Criador (Romanos 1:20; Salmo 19:1). Mas há uma diferença importante: as Cinco Vias procuram mostrar por que Aquino acreditava ser razoável afirmar que Deus existe. Já para conhecer o caráter de Deus, sua vontade e a salvação que ele oferece em Cristo, precisamos ouvir o que ele revelou nas Escrituras.