Pastor Antônio Junior

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Por que muitos cientistas rejeitam o criacionismo?

Autor: Admin

Publicado: 2026-11-05

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Depende do que se quer dizer com criacionismo. Se a afirmação é que Deus criou o universo, a ciência não tem como colocar Deus num experimento pra confirmar ou negar isso. Já se a afirmação é que a Terra tem poucos milhares de anos ou que os seres vivos surgiram exatamente como são hoje, sem uma história de mudanças ao longo do tempo, os cientistas podem comparar essas ideias com as evidências que estudam. E é principalmente aí que surge a discordância.

A Bíblia afirma que Deus é o Criador (Gênesis 1:1; Salmo 19:1). Ela também ensina que a criação não existe por conta própria, independente dele (Colossenses 1:16-17). Isso é uma afirmação sobre quem deu origem a tudo e de quem tudo depende. A ciência, por sua vez, procura explicar como os fenômenos do mundo físico acontecem. Por isso, um cientista pode estudar a formação de estrelas ou as mudanças nos seres vivos sem que sua pesquisa, por si só, responda à pergunta sobre a existência de Deus.

Na prática, a ciência trabalha com explicações que possam ser examinadas por outras pessoas, testadas e corrigidas diante de novas evidências. Isso costuma ser chamado de *naturalismo metodológico*: ao pesquisar, o cientista procura causas naturais que possa investigar. Esse modo de trabalhar não é a mesma coisa que afirmar que Deus não existe. Uma pessoa pode usá-lo em seu trabalho e ainda crer que Deus criou e sustenta o universo. Dizer “Deus fez” pode ser uma convicção verdadeira e importante, mas, sozinho, não explica ao pesquisador o que medir ou que resultado esperar de um estudo.

Há também discordâncias sobre evidências concretas. A idade estimada da Terra, a ordem em que os fósseis aparecem nas camadas de rocha e as semelhanças genéticas entre os seres vivos são alguns dos motivos pelos quais a maioria dos especialistas não aceita certas versões do criacionismo, especialmente a ideia de uma Terra recente. Essas conclusões podem ser discutidas e examinadas; cientistas não são infalíveis. Mas não seria justo dizer que eles rejeitam essas propostas apenas por preconceito contra Deus. Muitas vezes, a discordância é sobre o que as evidências indicam.

Do lado cristão, também é importante não tratar todas as interpretações de Gênesis como se fossem uma só. Cristãos que reconhecem a autoridade da Bíblia concordam que Deus é o Criador, mas divergem sobre como entender os dias de Gênesis 1 e sobre a relação entre o relato bíblico e a história da Terra e da vida. Alguns defendem uma criação recente; outros entendem que a Terra é muito antiga. Assim, rejeitar uma interpretação específica da criação não é, necessariamente, rejeitar a fé cristã.

Isso não quer dizer que as conversas entre fé e ciência sejam sempre respeitosas. Cientistas, como qualquer pessoa, podem ter ideias preconcebidas e agir com arrogância. Cristãos também podem descartar uma descoberta antes de entendê-la. Mas não temos como conhecer os motivos de toda uma comunidade, nem devemos presumir que quem discorda da Bíblia esteja fazendo isso por rejeitar suas exigências morais.

A resposta, então, é esta: muitos cientistas rejeitam o criacionismo quando ele apresenta explicações sobre a história física do mundo que, segundo eles, não combinam com as evidências disponíveis ou não podem ser testadas cientificamente. Isso é diferente de provar que Deus não criou o mundo. Pra um cristão, estudar a criação com cuidado não precisa ser uma ameaça à fé. O importante é tratar com honestidade tanto o que a Bíblia ensina quanto aquilo que podemos observar na natureza.