As cidades de refúgio eram seis cidades de Israel onde uma pessoa que tivesse causado uma morte sem querer podia buscar proteção. Elas não serviam pra esconder um assassino nem pra livrar alguém de um julgamento. Serviam pra impedir que uma pessoa fosse morta por vingança antes que seu caso fosse examinado.
Naquele tempo, um parente próximo da vítima podia agir como “vingador do sangue”. Mas nem toda morte acontecia da mesma maneira. Deuteronômio 19:5 dá um exemplo simples: dois homens estão cortando lenha, o ferro de um machado se solta, atinge um deles e o mata. Houve uma morte, e ela precisava ser levada a sério. Mas o homem que manejava o machado não tinha planejado matar o outro. As cidades de refúgio existiam pra proteger alguém nessa situação.
Deus mandou separar seis dessas cidades entre as 48 destinadas aos levitas, que viviam espalhados pelo território de Israel. Três ficavam de um lado do rio Jordão e três do outro: Quedes, Siquém, Hebrom, Bezer, Ramote e Golã (Números 35:6-7; Josué 20:7-8). A proteção também estava disponível ao estrangeiro que vivia entre os israelitas (Números 35:15).
Quem fugia pra uma dessas cidades apresentava seu caso aos líderes locais. Depois, a comunidade julgava o que tinha acontecido. Se a morte tivesse sido intencional, a cidade não podia servir de abrigo pro culpado. Se tivesse sido acidental, a pessoa podia morar ali, protegida do vingador do sangue. Ela precisava permanecer na cidade até a morte do sumo sacerdote; só então podia voltar pra sua terra sem correr esse risco (Números 35:22-28; Josué 20:4-6). A Bíblia estabelece esse prazo, mas não explica com certeza por que a morte do sumo sacerdote marcava o momento da volta.
Essas cidades mostram duas preocupações presentes na Lei de Deus: a vida da vítima importava, e a vida de quem causou uma morte sem querer também importava. Por isso, não bastava a família da vítima decidir, movida pela dor, o que fazer. Era preciso ouvir o caso e distinguir um acidente de um assassinato.
Cristãos às vezes veem nessas cidades uma lembrança da segurança que encontramos em Cristo. A comparação pode ajudar: assim como havia um lugar de proteção pra quem corria perigo, Cristo recebe os que buscam nele salvação (Hebreus 6:18). Mas há uma diferença importante. As cidades tratavam de mortes involuntárias e de um perigo imediato de vingança; Cristo salva pecadores de sua culpa diante de Deus. A Bíblia não diz que as cidades eram uma representação exata de Jesus em todos os detalhes.