São as chuvas que chegavam em épocas importantes do ano em Israel. A chuva temporã vinha no começo da estação chuvosa, depois do verão seco, e ajudava a preparar a terra pro plantio. A chuva serôdia vinha mais tarde e ajudava a plantação a crescer antes da colheita.
Oseias usa essas chuvas pra explicar o que o povo esperava de Deus. No início do capítulo 6, os israelitas falam em voltar ao Senhor. Reconhecem que ele os feriu por causa dos pecados deles, mas esperam que também os cure. Por isso dizem que Deus virá a eles como a chuva que rega a terra (Oseias 6:1-3). A ideia é fácil de entender: assim como a terra seca precisa de chuva, o povo precisava da ajuda de Deus pra se recuperar.
Mas há um detalhe importante logo depois. Deus responde perguntando o que fará com aquele povo, porque o amor deles por ele desaparecia depressa. Em seguida, diz que queria fidelidade e conhecimento de Deus, não apenas cerimônias religiosas (Oseias 6:4-6). Então, a comparação com a chuva não é uma garantia de que qualquer pedido de perdão já seja sincero. O povo falava em voltar, mas Deus queria uma mudança verdadeira.
Alguns também relacionam a menção ao “terceiro dia”, em Oseias 6:2, à ressurreição de Jesus. A relação pode ser considerada à luz de 1 Coríntios 15:4, mas Oseias está falando, primeiro, da esperança de que Deus restaure seu povo. O texto não afirma diretamente que as duas chuvas representam acontecimentos separados da vida de Jesus.
Assim, a resposta principal é esta: a chuva temporã e a serôdia são chuvas de épocas diferentes que servem, em Oseias 6:3, como uma comparação com a ajuda restauradora de Deus. E o restante da passagem lembra que esperar essa ajuda deve vir acompanhado de um retorno sincero ao Senhor.