“Chibolete” era uma palavra usada como teste de pronúncia. Em Juízes 12:5-6, os homens de Gileade pediam que quem tentasse atravessar o rio Jordão dissesse essa palavra. Os efraimitas a pronunciavam de outro jeito, como “sibolete”, e assim eram identificados.
Pra entender por que isso aconteceu, é preciso voltar um pouco na história. Jefté, líder de Gileade, havia vencido uma guerra contra os amonitas. Depois, homens da tribo israelita de Efraim foram confrontá-lo, dizendo que não tinham sido chamados pra lutar. Jefté respondeu que havia pedido ajuda, mas eles não tinham vindo. A discussão virou uma guerra entre os dois grupos (Juízes 12:1-4).
Os gileaditas tomaram os lugares por onde se podia atravessar o Jordão. Quando alguém queria passar, perguntavam se era efraimita. Se a pessoa negava, pediam que dissesse “chibolete”. A diferença na pronúncia revelava sua origem. O texto conta que os efraimitas identificados dessa maneira eram mortos e que, ao longo daquele conflito, morreram 42 mil deles (Juízes 12:5-6).
A palavra hebraica pode significar “espiga” ou “corrente de água”, dependendo do contexto. Mas, nessa passagem, o significado da palavra não era o que importava. O teste funcionava porque os dois grupos não a pronunciavam da mesma forma. A Bíblia não explica por que essa diferença de pronúncia existia.
Hoje, “chibolete” também pode ser usado pra falar de uma palavra, expressão ou costume que ajuda a reconhecer a que grupo alguém pertence. Na história de Jefté, porém, esse teste teve uma consequência terrível: ele foi usado numa guerra entre pessoas do próprio povo de Israel.