É uma celebração cristã realizada todos os anos na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém, no sábado que antecede a Páscoa das igrejas ortodoxas. O centro da cerimônia é uma chama que sai do local tradicionalmente identificado como o túmulo de Jesus e é compartilhada entre os fiéis.
Durante a celebração, há orações, e o patriarca ortodoxo grego de Jerusalém entra no Edículo, a pequena construção dentro da igreja que abriga esse local. Depois, ele sai com velas acesas. As pessoas acendem suas velas umas nas outras, e a chama também é levada a outras comunidades ortodoxas. Para os participantes, ela lembra que Jesus ressuscitou e venceu a morte.
Mas o fogo surge por milagre? Muitos fiéis ortodoxos acreditam que sim: entendem que a chama aparece de modo sobrenatural. Outras pessoas questionam essa afirmação. A Bíblia não descreve essa cerimônia nem promete que um fogo aparecerá no túmulo de Jesus a cada ano. Por isso, dá pra explicar o que acontece na celebração e o que ela significa para seus participantes sem afirmar como fato que a chama tenha origem milagrosa.
A imagem da luz tem relação com um ensinamento bíblico: Jesus se apresentou como a luz do mundo (João 8:12). Ainda assim, uma chama acesa não é necessária pra confirmar sua ressurreição. Paulo ensina que é a ressurreição de Cristo — e não uma cerimônia anual — que é indispensável à fé cristã (1 Coríntios 15:14-17).
Assim, um cristão pode entender o Fogo Sagrado como uma tradição que celebra a ressurreição, sem precisar acreditar que o fogo seja milagroso ou participar da cerimônia. O acontecimento que ela procura lembrar é Jesus ter ressuscitado; a chama é parte da celebração desse acontecimento.