Para a Igreja Católica, o batismo não é apenas uma cerimônia que mostra publicamente a fé de alguém. Ele é um sacramento: um ato pelo qual Deus concede graça à pessoa. Segundo o Catecismo da Igreja Católica, no batismo a pessoa recebe o perdão dos pecados, nasce para uma nova vida em Cristo e passa a fazer parte da Igreja. Por isso, ele é o primeiro sacramento e abre caminho para os demais (Catecismo, 1213, 1263).
Isso explica por que os católicos batizam bebês. Eles não afirmam que um bebê já entenda o evangelho ou tenha tomado uma decisão pessoal de crer. Entendem que Deus pode lhe dar sua graça antes disso e que a criança é batizada na fé da Igreja. Mais tarde, espera-se que ela conheça essa fé e a assuma pessoalmente.
A Igreja Católica ensina que o batismo é necessário porque Cristo mandou batizar. Mas isso não significa que, segundo ela, toda pessoa que morre sem ter sido batizada esteja necessariamente condenada. O catecismo reconhece, por exemplo, a situação de quem desejava receber o batismo, mas morreu antes de conseguir fazê-lo. Quanto às crianças que morrem sem batismo, a posição oficial é confiá-las à misericórdia de Deus e ter esperança quanto à salvação delas (Catecismo, 1257–1261). A ideia de que essas crianças iriam para o “limbo” não é uma doutrina oficial da Igreja Católica.
Há também um ponto que costuma causar confusão: os católicos creem que o batismo deixa uma marca espiritual permanente. Se uma pessoa batizada cometer um pecado grave, eles não dizem que essa marca desaparece ou que ela precisa ser batizada outra vez. Ensinam, porém, que ela pode perder a graça recebida e precisa se reconciliar com Deus. Assim, não seria correto resumir a posição católica dizendo que “o selo do batismo pode ser apagado”.
Onde está a principal diferença em relação ao entendimento de muitos evangélicos? Está na relação entre fé, batismo e salvação. Muitos evangélicos entendem que a pessoa é salva pela graça de Deus, mediante a fé em Jesus, e que depois é batizada como resposta de obediência. Eles apontam, por exemplo, para Efésios 2:8–9, que apresenta a salvação como dom de Deus, e para Efésios 1:13, que relaciona a fé em Cristo ao recebimento do Espírito Santo.
Os católicos também afirmam que a salvação vem da graça de Deus, não de uma capacidade própria de quem é batizado. A diferença é que entendem o batismo como um meio pelo qual Deus comunica essa graça. Passagens como João 3:5, sobre nascer da água e do Espírito, e Tito 3:5, sobre o lavar que traz novo nascimento, estão entre os textos que eles relacionam ao batismo. Muitos evangélicos leem essas passagens de outra forma e não concluem que o ato de receber água seja o que produz o novo nascimento.
O batismo de bebês é outra diferença importante. Nos relatos de Atos, é comum ver pessoas ouvindo a mensagem, crendo e então sendo batizadas, como acontece em Atos 18:8. Isso dá força ao entendimento evangélico de que o batismo deve seguir a fé pessoal. Os católicos, por sua vez, também consideram os relatos de famílias batizadas, como a de Estéfanas em 1 Coríntios 1:16, compatíveis com o batismo infantil. Mas esses relatos não dizem a idade de todos os membros da casa. E quando Jesus acolhe as crianças em Lucas 18:15–16, ele mostra seu cuidado por elas, sem falar ali de batismo. Portanto, esses textos não resolvem sozinhos a discussão.
Em resumo, para os católicos, Deus age no batismo para perdoar pecados e dar nova vida; por isso, eles também batizam crianças. Para muitos evangélicos, o batismo não concede a salvação, mas expressa a fé de quem já creu em Cristo. Ambos levam o batismo a sério, mas entendem de maneira diferente o que Deus faz por meio dele e quando ele deve acontecer.