A Bíblia ensina que Deus perdoa os pecados por meio de Jesus Cristo. Ela também ensina que podemos confessar nossos pecados a Deus e buscar seu perdão (1 João 1:9; 1 Timóteo 2:5). A questão discutida entre católicos e protestantes não é se Deus perdoa, mas se Jesus estabeleceu a confissão a um sacerdote e a absolvição dada por ele como o caminho necessário para receber esse perdão.
Na prática católica, o sacerdote não é considerado a fonte do perdão. O entendimento é que Deus perdoa por meio do ministério que Cristo confiou à Igreja. Uma das principais passagens usadas para sustentar isso é João 20:21-23. Depois de ressuscitar, Jesus envia seus discípulos, fala sobre o Espírito Santo e lhes dá autoridade relacionada a perdoar ou reter pecados. Essas palavras precisam ser levadas a sério: Jesus deu aos seus seguidores uma responsabilidade real ao anunciar e lidar com o perdão.
O ponto em debate é como essa autoridade deve ser exercida. Para os católicos, a passagem dá base à absolvição sacerdotal. Muitos protestantes entendem que Jesus estava encarregando seus seguidores de anunciar, com a autoridade da mensagem que receberam dele, a quem Deus perdoa. Eles podiam assegurar à pessoa que se arrepende e crê em Cristo que há perdão para ela. Também podiam advertir quem rejeita Cristo de que continua em seus pecados. Nessa leitura, os discípulos não decidem, por conta própria, quem Deus deve perdoar; eles anunciam a resposta de Deus ao arrependimento e à fé.
O modo como os apóstolos apresentam o perdão em outras passagens ajuda a entender essa leitura. Pedro anuncia que quem crê em Jesus recebe o perdão dos pecados por meio dele (Atos 10:43). Paulo diz que, por Jesus, o perdão é anunciado e que quem crê é justificado (Atos 13:38-39). Nessas ocasiões, eles não dizem que a pessoa precisa procurar um sacerdote para receber uma absolvição. Ao mesmo tempo, a Bíblia incentiva os cristãos a confessar pecados uns aos outros e a orar uns pelos outros (Tiago 5:16). Portanto, confessar um pecado a outra pessoa pode fazer parte de uma vida cristã sincera; a dúvida é se isso deve ser feito diante de um sacerdote para que Deus conceda o perdão.
Por isso, João 20:23 não deve ser ignorado nem tratado como se tivesse apenas uma interpretação possível. Mas a passagem, por si só, não descreve a prática católica da confissão a um sacerdote nem afirma que essa absolvição seja necessária para todo cristão receber o perdão de Deus. A conclusão protestante é que podemos buscar esse perdão diretamente de Deus, por meio de Cristo, sem depender da absolvição sacerdotal (Hebreus 4:14-16; 1 João 1:9).
Em poucas palavras: a Bíblia dá à Igreja a responsabilidade de anunciar e levar a sério o perdão dos pecados. Ela não estabelece claramente que uma pessoa precise da absolvição de um sacerdote para ser perdoada por Deus.