Os primeiros mórmons que aceitaram o casamento plural acreditavam que Deus havia mandado praticá-lo por meio de Joseph Smith, fundador do movimento. Pra eles, ter mais de uma esposa não era apenas uma escolha pessoal: era uma questão de obedecer a uma revelação que consideravam vinda de Deus.
Essa crença precisa de um esclarecimento. O *Livro de Mórmon* apresenta o casamento com uma só esposa como regra e condena homens que tomavam várias mulheres. Ao mesmo tempo, traz uma passagem que alguns mórmons entendem como a possibilidade de Deus ordenar algo diferente em uma situação específica (Jacó 2:27-30). Foi principalmente nas revelações atribuídas a Joseph Smith, e não no exemplo de casamentos comuns descritos no Livro de Mórmon, que os primeiros praticantes encontraram a justificativa pro casamento plural.
Smith começou a ensinar e praticar o casamento plural antes de registrar, em 1843, a revelação que hoje aparece em *Doutrina e Convênios* 132. Nela, o casamento plural é ligado à ideia de uma aliança que pode continuar após a morte. Por isso, os primeiros mórmons que seguiam esse ensino viam esses casamentos como parte de sua fidelidade a Deus e de sua esperança de receber bênçãos eternas. Líderes posteriores, como Brigham Young, defenderam a prática com muita força, embora nem todos os mórmons a tenham aceitado.
Explicar por que eles acreditavam nisso não é o mesmo que dizer que a Bíblia ensina isso. O Antigo Testamento relata que alguns homens tiveram várias esposas, mas relatar uma prática não significa recomendá-la. Ao falar do casamento, Jesus volta ao princípio da criação: um homem e uma mulher unidos como marido e esposa (Gênesis 2:24; Mateus 19:4-6). O Novo Testamento não manda os cristãos praticarem o casamento plural nem o apresenta como requisito pra receber a vida eterna. Essa é a diferença principal entre a justificativa dos primeiros mórmons e o ensino bíblico sobre o casamento.
Hoje, a Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias não permite que seus membros pratiquem o casamento plural. A igreja anunciou o fim da prática em 1890 e reforçou essa proibição em 1904. Existem grupos que se identificam como mórmons fundamentalistas e ainda a praticam, mas eles não fazem parte dessa igreja.